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Internacional Sexta-feira, 23 de Julho de 2010, 18:51 - A | A

Sexta-feira, 23 de Julho de 2010, 18h:51 - A | A

Néstor Kirchner confirma reunião da Unasul com Chávez e Uribe somente para agosto

Da Redação - (ME) - (www.capitalnews.com.br)

O secretário-geral da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), o ex-presidente argentino Néstor Kirchner, anunciou que se reunirá com Hugo Chávez no dia 5 de agosto em Caracas e no dia 6 de agosto irá à Bogotá conversar com Álvaro Uribe e o presidente eleito da Colômbia, Juan Manuel Santos, que toma posse no dia 7.
De acordo com a agência estatal de notícias Télam além de buscar a mediação da crise entre os dois países o secretário-geral da Unasul permanecerá na Colômbia para a posse de Santos.

A confirmação da mediação da Unasul chega um dia após os dois países terem rompido relações diplomáticas. Na quinta-feira, a Colômbia apresentou à OEA (Organização dos Estados Americanos) provas -- fotos, vídeos e coordenadas -- de que há 87 acampamentos das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e do Exército de Libertação Nacional (ELN) em cidades venezuelanas. Pouco depois, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, rompeu relações entre Caracas e Bogotá.

A Télam diz ainda que desde a quinta-feira Kirchner vem mantendo "permanentes comunicações telefônicas com os presidentes do Equador (Rafael Corrêa), Brasil (Luiz Inácio Lula da Silva) e outros líderes da região para coordenar ações e resolver rapidamente a grave situação que envolve os dois países".

Já esperada, a decisão de aguardar até a posse de Santos deve-se ao fato de que o presidente-eleito da Colômbia já havia se posicionado -- antes da ruptura de relações -- a favor de uma melhora na situação diplomática entre os dois países.

Kirchner deverá ainda auxiliar Corrêa -- que assumiu a presidência rotativa da Unasul -- no papel de mediar a crise. O líder equatoriano confirmou nesta sexta-feira que pretende convocar seus colegas da região para uma reunião a fim de analisar a crise diplomática entre Caracas e Bogotá.

Uma reunião de emergência da Unasul apenas para deliberar a crise, no entanto, deve ser convocada o mais rápido possível, informou Corrêa.

Ligações


Mais cedo o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, telefonou para vários líderes da Unasul em busca de apoio à sua decisão de romper relações com a Colômbia. O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, visita o país no próximo dia 6, quando deve conversar diretamente com Chávez sobre a crise.

O Brasil articula como retirar a discussão do rompimento da OEA (Organização dos Estados Americanos) e trazer para a Unasul, órgão do qual os Estados Unidos não são membros. A ideia, afirma reportagem da Folha de S. Paulo, é evitar que a participação americana desequilibre as negociações para pró-Colômbia e anti-Venezuela.

Lula telefonou horas depois para Chávez, propondo a troca. Após a conversa, Chávez anunciou que pediu ao Equador (que ocupa a Presidência da Unasul) uma reunião de emergência.

Segundo comunicado do Ministério de Relações Exteriores venezuelano, Chávez informou os outros países de sua decisão e trocou impressões sobre a "violenta agressão da qual a Venezuela foi vítima por parte do presidente da Colômbia, Álvaro Uribe".

A lista inclui o brasileiro Lula, a argentina Cristina Fernández Kirchner e o secretário-geral da Unasul, Néstor Kirchner.

Os países, ainda segundo o ministério, ratificaram seu compromisso com a paz e a unidade da região e "coincidiram em empreender um esforço conjunto [...] para que cessem os ataques que colocam em risco o bem estar e a tranquilidade dos povos do continente".

Santos

O Brasil acha melhor convocar a Unasul após a posse do novo presidente colombiano, Juan Manuel Santos, no próximo dia 7. Apesar de ser sucessor do popular Uribe, Santos adotou um discurso de aproximação com Caracas e, diante da crise, disse que manteria o silêncio como "sua melhor contribuição".

Para o embaixador brasileiro na Colômbia, Valdemar Carneiro Leão, a troca "cria um clima mais propício". Os embaixadores da região que servem em Caracas e Bogotá já trocam telefonemas para garantir a reunião.

Nesta quinta, Chávez disse esperar que o novo presidente colombiano não esteja envolvido na atual rixa entre os dois países. "Espero que tome algumas medidas racionais no assunto porque acredito que já uma loucura desatada no palácio de Nariño".

Durante a campanha eleitoral colombiana, Chávez chegou a alertar que a vitória do ex-ministro de Defesa e sucessor de Uribe podia gerar uma guerra e que seria extremamente difícil restabelecer as relações bilaterais sob seu governo.

Santos, contudo, adotou um discurso de reaproximação e diálogo e chegou a minimizar as acusações de Uribe sobre os vínculos entre Chávez e as Farc. O venezuelano mudou de tom e disse que espera retomar as conversações com o país vizinho depois da posse de Santos. Ele afirmou que não irá na posse por questões de segurança.

Combate


Mais cedo, o embaixador da Venezuela na OEA, Roy Chaderton, reconheceu que há guerrilheiros colombianos no país, mas negou apoio aos rebeldes e afirmou que as Forças Armadas venezuelanas não apenas combatem a guerrilha, como já entregaram membros capturados à Colômbia.

Ele explicou ainda que o país não vai permitir investigações em seu território, porque já houve duas iniciativas semelhantes no passado --em uma não encontraram nada e na outra não completaram a busca porque o acampamento estava em território colombiano.

"Quando há iniciativas que nós consideramos de má fé e que buscam favorecer os Estados Unidos, nós não entramos no jogo", disse o diplomata, voltando a acusar o governo Alvaro Uribe de se submeter a vontade de Washington.

O ministro da Defesa, general Carlos Mata, também assegurou que os esforços dos militares venezuelanos "têm sido enormes" para combater o narcotráfico e a presença de rebeldes em seu território e que é responsabilidade da "oligarquia colombiana" se "existe sangue" na história destes países vizinhos.(Fonte: Folha Online/Com informações de agências internacionais)


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