O novo aterro sanitário de Campo Grande lançará na atmosfera gás carbônico e não mais gás metano. Essa questão minimizará a emissão de poluentes em 21 vezes. A apresentação do novo sistema foi realizada na manhã desta quarta-feira (4) pelo prefeito Nelson Trad Filho (PMDB) e pelo titular da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano (Semadur), Marcos Cristaldo.
Quem fica responsável pelo aterro é a Empresa Fama Air Technologies Ltda., que já recebeu ordem de serviço da Prefeitura. O valor dos investimentos é de R$ 142.871,00 e a empresa fará a prestação de serviços técnicos de engenharia consultiva para a elaboração do Projeto Executivo do sistema de captação e queima de biogás, a ser implantado no novo aterro sanitário de Campo Grande.
Nelsinho explicou que espera conseguir créditos de carbono após a implementação do aterro. “Para que tudo isso aconteça, temos várias etapas para vencer. É um grande desafio e achei importante investir e, com a instalação desse sistema, temos a possibilidade de vender os créditos de carbono”, frisou, conforme repassado pela assessoria.

Prefeito explica novo sistema. Ele acredita que o município poderá receber créditos de carbono, que são verbas internacionais vindas devido a menos emissão de gás carbônico
Foto: Denilson Secreta/Prefeitura da Capital
O diretor de engenharia da empresa Fama Air Technologies, William Tumani Marion, ressaltou que o sistema diminui a formação de bolsão de gás e evita as explosões e queimas que acontecem atualmente. “O equipamento possui tecnologias de análise de gás, melhor combustão, retém as chamas dentro do queimador, segurança operacional e a chama não ilumina ao redor do queimador.”
Para Promotora de Justiça do Meio Ambiente do Ministério Público do Estado (MPE), Mara Cristiane Crisóstomo Bravo, o sistema apresentado é “bom”, segundo assessoria do governo municipal. “Ele tem a capacidade de transformar o gás metano em energia limpa”, disse a promotora ao acrescentar que a segurança dos trabalhadores do aterro está garantida e não haverá mau cheiro no entorno do local.”

Atual lixão serve de meio de sobrevivência para muitas pessoas, que poderão formar cooperativa de trabalho no novo aterro, tendo condições dignas para viverem
Foto: Deurico/Capital News
Favela Cidade de Deus
Batizada com o mesmo nome de um conglomerado grande no Rio de Janeiro, a favela feita por catadores de lixo atrás do atual aterro, na região do Bairro Dom Antônio Barbosa, deve ter fim ainda este ano. Todavia, as pessoas que ali sobrevivem esperam receber mais que uma moradia, oportunidades.
Elas ganharão 300 casas populares e poderão fazer parte de uma cooperativa no novo aterro. As medidas integram a série de atividades previstas em termo de ajustamento de conduta (TAC), que a Prefeitura foi obrigada a assinar junto com o MPE em 25 de fevereiro.
No novo aterro, haverá uma usina que poderá processar inclusive resíduos sólidos hospitalares. A intenção, segundo o TAC, é que tudo esteja finalizado em dezembro de 2011.
Também está previsto o reflorestamento de todo o cinturão verde da região próxima ao lixão.
Máquinas farão o trabalho de compactação do lixo, que poderá ser reciclado. Espera-se que o aterro tenha vida útil de 20 anos.
Serão investidos R$ 1,3 milhão na operacionalização da usina de processamento de lixo e do incinerador de resíduos sólidos hospitalares. A verba é da Prefeitura. Também com verba da Prefeitura e de emendas parlamentares, a parte social do projeto custará R$ 4 milhões. As casas custarão R$ 4,8 milhões. O projeto todo tem orçamento de R$ 12,9 milhões.


Catadores de lixo formaram a Favela Cidade de Deus; 300 casas populares são construídas ali
Foto: Deurico/Arquivo Capital News
Por: Marcelo Eduardo – (www.capitalnews.com.br)
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