“Quando as aves falam com as pedras e as rãs com as águas, é de poesia que estão falando.”
Esta frase, do livro “Ensaios Fotográficos” (2000), ajuda a vislumbrar um pouco da rica obra do poeta Manoel de Barros , que se dedica a contar o cotidiano do Pantanal e do pantaneiro. Ele afirma buscar um olhar para o "desimportante", aquilo que todos deixam passar por acharem coisas corriqueiras, mas, que ele aponta como essenciais.
Na manhã desta sexta-feira (20), o poeta de 93 anos de idade, radicado em Mato Grosso do Sul desde o primeiro ano de vida, ganhou uma homenagem em nome aos serviços prestados à cultura da nossa terra.

Prefeito, escultor, neto do homenageado e ex-governador na inauguração do monumento
Foto: Denilson Secreta/Prefeitura da Capital
A Praça Pantaneira, localizada na esquina entre as ruas 25 de Dezembro e Barão do Rio Branco, no Centro, recebe uma estátua do escritor.
O prefeito Nelson Trad Filho (PMDB) participou da cerimônia, na qual estiveram presentes o ex-governador Wilson Barbosa Martins (PMDB) e o neto do poeta, Felipe Barros, o representando.
A praça que fica atrás da sede da Prefeitura também é conhecida como “Praça do Poeta”. Ela foi inaugurada em 2007, com estátua de animais típicos do Pantanal, construídas pelo artista plástico Levi Batista, que explicou o processo de construção da estátua inaugurada. “Foi feita de concreto e ferro, com tinta de resina para proteger a obra”.
Ele também fez a homenagem a Manoel. “Acho que uma pessoa ilustre como o poeta, deveria ser imortalizada. E eu dei a ideia ao prefeito Nelsinho que gostou e possibilitou esta homenagem em vida”, relata o escultor, conforme repassado pela assessoria.
De acordo com o prefeito, é motivo de muita alegria homenagear o poeta em vida. “Manoel de Barros é o maior poeta vivo do Brasil. Não poderíamos deixar de homenageá-lo. Com esta estátua, ele ficará imortalizado na lembrança dos campo-grandenses.”
Para a inauguração, foram construídos novos animais, três trilhas de concreto imitando madeira, espaço de convivência com novos bancos de concreto e mesinhas de centro. O banco do poeta foi instalado em estrutura também de concreto, com pé direito (distância do local mais baixo ao mais alto) alto e cobertura.
Manoel de Barros como escultura está como sempre busca estar na vida real, junto aos animais pantaneiros: a estátua fica entre onça pintada, tuiuiú com peixe no bico, três araras, dois tucanos, uma sucuri e duas capivaras, além da coruja, animal-símbolo do conhecimento.
No Parque dos Poderes, a via que dá continuidade à Avenida Afonso Pena recebe o nome de Avenida do Poeta. A homenagem também a Manoel foi realizada pelo governo do Estado anos atrás. No percurso da via, é possível ler trechos de seus escritos, pintados em totens espalhados pelo canteiro central.

Crianças da creche Zé Du, juntas do cantor que dá nome ao estabelecimento, foram à solenidade
Foto: Denilson Secreta/Prefeitura da Capital
História viva
Manoel Wenceslau Leite de Barros é cuiabano de nascimento. Sua mãe o teve no Beco da Marinha, que fica à beira do Rio Cuiabá, em 19 de dezembro de 1916.
Filho de João Venceslau Barros, capataz com influência na região na época.
Quando tinha um ano, o pai decidiu fincar raízes no Pantanal de Corumbá (cidade distante 417 quilômetros a noroeste de Campo Grande), onde adquiriu uma fazenda.
Atualmente, mora em Campo Grande. É advogado de formação, fazendeiro e poeta.
Nequinho, como era chamado pela família, cresceu brincando no terreiro em frente da casa, com o pé no chão do Pantanal Sul-Mato-Grossense, entre currais e suas coisas "desimportantes”.

Estátua é homenagem ao poeta das coisas "desimportantes" do Pantanal
Foto: Denilson Secreta/Prefeitura da Capital
Por: Marcelo Eduardo – (www.capitalnews.com.br)
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