Trabalhadores do Aterro Sanitário de Campo Grande confirmaram que técnicos da Assistência Social da Prefeitura Municipal estiveram no lixão na manhã do mesmo dia, quarta-feira (28), em que houve a tragédia. Segundo Fernando Henrique Prestes, catador de material reciclável, os agentes alertaram não só as crianças, mas todos os trabalhadores que o morro, constituído de terra e lixo, poderia desmoronar a qualquer momento.
O trabalhador da área confirmou também que é comum acontecer tremores e deslizamentos no lixão e que todos sabem do perigo que enfrentam subindo até o alto. “Eles foram até em cima e avisaram para todo mundo do perigo, mas depois que saíram todos retornaram, e horas mais tarde acabou acontecendo o desmoronamento”, contou o rapaz.

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Foto: Deurico/Capital News
Nesta quinta-feira (29), a Prefeitura Municipal de Campo Grande, por meio de nota aberta para a população, assinada pelo próprio Prefeito Nelson Trad Filho, declarou que técnicos da Assistência Social estiveram na manhã de quarta-feira (28), mesmo dia em que houve o acidente no Aterro Sanitário, alertando a família de Maikon sobre o risco de desmoronamento que poderia acontece no lixão.
Segundo a nota, intitulada “À população de Campo Grande”, a Administração Municipal lamenta o desfecho do acidente que vitimou o garoto Maikon, reafirmando a decisão de dispensar todo apoio à sua família. De acordo com a nota, desde 2005, a Administração Municipal vem debatendo alternativas para a erradicação do "lixão" e sua substituição por coleta e processamento moderno, ambientalmente correto e socialmente adequado.
A Prefeitura destacou ainda que naquele mesmo dia, realizou-se audiência pública que, conforme determinação legal, debateu com a sociedade a modelagem do sistema de coleta e processamento do lixo de Campo Grande, que deve estar definitivamente implantado ate dezembro de 2012. Assim, a prefeitura se compromete a resgatar, até o final do próximo ano, um lamentável passivo ambiental, social e, sobretudo, humano, que se vem acumulando ao longo de quase três décadas.
Revolta
Alguns dos familiares presentes no enterro de Maikon demonstraram a revolta com a falta de segurança e de assistência social prestada pela prefeitura. A tia de Maikon, Cleomar Vieira de Andrade, pediu para que a morte do sobrinho não fique esquecida. “Eu peço a vocês que façam alguma coisa pela gente, coloquem segurança lá dentro se não irão acontecer outros casos como o de Maikon”, desabafou a tia.

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Foto: Deurico/Capital News
Para a avó de Maikon, Cleuza Pereira Andrade, não existe fiscalização para impedir que crianças entrem no Aterro Sanitário. “Eles entram com facilidade e a hora que quiserem, ninguém cuidada de nada lá não”, afirma a senhora abalada com a perda do neto.

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Foto: Deurico/Capital News
Presente no enterro, o vereador Alex (PT) afirmou que acidentes como estes se devem pela falta de investimento da classe política. “Falta vontade política dos governantes, eles abrem avenidas novas diariamente, porque não deixar de lado um pouco estas obras e olhar mais para aquela área onde estão pessoas que realmente precisam”, argumentou o vereador.
Segundo o vereador, o problema veio à tona no meio de uma série de comemorações de fim de ano e antecedendo um ano político. “Nós ficamos com a cara no chão diante de um problemão como este que o do lixão de Campo Grande”, disse Alex.
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