A Polícia vai indiciar o empresário Luís Afonso dos Santos Andrade, 42, por homicídio doloso duplamente qualificado. Ele é o principal suspeito de assassinar a mulher, a arquiteta Eliane Aparecida Nogueira, 39, em 2 de julho. A arquiteta foi encontrada carbonizada dentro de seu carro, também incendiado, no Bairro Vilas Boas. Com o indiciamento do empresário, a sua prisão passa de caráter temporário para preventivo, ele continuará detido até o julgamento.
Para o delegado da Polícia Civil Wellington Oliveira, responsável pelo caso, mesmo sem os resultados de exames ainda sendo feitos no carro e no suspeito, os já obtidos - exames necroscópicos do corpo da vítima -, já são provas suficientes para indiciar o empresário.
Na manhã desta quinta-feira (15), delegado e o coordenador da Perícia Técnica do Instituto Médico Odontológico Legal (Imol), Marco Antônio Araújo de Mello, concederam entrevista coletiva na sede do Comando Geral da Polícia Civil, no Parque dos Poderes.
Segundo Marco Antônio, também foram verificadas marcas no pescoço de Eliana, o que comprova que ela teria sido esganada antes de ser morta. “Foram detectadas escoriações no pescoço da vítima, o que indica sinais de esganadura, porém, não foram suficientes para matá-la."

O coordenador de supervisão do Imol, Marco Antônio Araújo. Exames comprovam que Eliane foi queimada viva
Foto: Deurico/Capital news
Confrontando versões
De acordo com o delegado Wellington Oliveira, o empresário Luís Afonso dos Santos, nega que tenha assassinado a mulher. Porém, cada vez que a polícia avança nas investigações do crime, é possível notar contradições em seu depoimento original. “A princípio, ele nega qualquer autoria e diz que só a deixou em casa e foi embora. Mas quando questionamos alguns pontos desse trajeto, ele acaba entrando em contradição e volta atrás e diz que só vai falar sobre o assunto em juízo. É um direito dele”, afirma o delegado.
Wellington diz que uma das contradições está na agressão que Eliane sofreu antes de ser morta. Os exames mostram que a arquiteta tinha um ferimento nos lábios. “Agora ele (empresário) diz que talvez tenha a agredido no caminho até a casa dela, mas não se lembra direito." Segundo a perícia, fragmentos da camisa de Luís Afonso foram encontrados no local do crime, indicando que o empresário teria tentado se livrar da peça de roupa queimando-a.

Delegado Wellington Oliveira diz que inquérito ainda não foi concluído, mas os exames permitem indiciar empresário por homicídio doloso
Foto: Deurico/Capital news
A polícia ainda aguarda os resultados dos exames feitos no carro da vítima, de corpo de delito do empresário e a análise da conta bancária e do histórico de ligações do empresário. Caso seja condenado, Luís Afonso poderá cumprir pena de 12 anos a 30 anos por homicídio doloso e mais 2 anos ou 5 anos por crime de incêndio.
Por: Jefferson Gonçalves - (www.capitalnews.com.br)
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