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Política Terça-feira, 19 de Agosto de 2008, 18:33 - A | A

Terça-feira, 19 de Agosto de 2008, 18h:33 - A | A

Panfletagem em Dourados gera polêmica na Assembléia

Da Redação

Panfletagem feita em Dourados usando cópia de reportagem de jornal provocou polêmica na sessão de hoje da Assembléia Legislativa. Mais uma vez, a repercussão envolve a suposta “farsa” dos tiros disparados contra casa do deputado estadual Ari Artuzi (PDT) na campanha eleitoral de 2006.

O deputado Zé Teixeira (DEM), que na semana passada pediu que a Corregedoria da Casa tomasse providências para apurar quebra de decoro parlamentar de Artuzi, usou a tribuna para se defender de novas declarações feitas por Carlos Aparecido Batista, testemunha que mudou a versão depois de registrar em cartório documento comprometendo o pedetista.

De acordo com matéria publicada na edição do último domingo, dia 17, do jornal Correio do Estado, Carlos alegou que suas declarações para prejudicar Artuzi foram orquestradas por Zé Teixeira, pelo vice-governador Murilo Zauith, candidato do DEM à prefeitura de Dourados, pelo ex-deputado estadual Valdenir Machado e pelo “senhor Iuri”.

A panfletagem com o conteúdo da matéria estaria sendo feita pelo grupo político liderado por Artuzi, que disputa a prefeitura douradense contra Murilo Zauith e contra o ex-secretário de Governo da prefeitura, Wilson Biasoto (PT).

Além de Carlos, outros depoimentos comprometedores registrados em cartórios foram feitos pela jornalista Tânia Cristina da Silva, ex-assessora de imprensa de Artuzi, e pela servidora pública municipal, Luciene Cândido de Oliveira.

O que mais irritou Zé Teixeira foi o fato de Carlos ter confirmado, em depoimento na delegacia em Dourados, nesta segunda-feira, a mesma versão do documento registrado em cartório dando conta que ouviu de Ezequiel dos Santos Tuneca, conhecido por Loro, que os tiros contra a casa de Artuzi foram idealizados pelo próprio pedetista como forma de se beneficiar politicamente.

O discurso do democrata motivou o deputado Ary Rigo (PDT) a fazer a defesa de Artuzi. “Sei que vossa excelência não iria entrar num submundo como este (...), o certo é que este tal de Carlos está fazendo a maior lambança, dizer que o senhor comprou não é verdade, eu gostaria que esse assunto fosse tratado pelo deputado Maurício Picarelli (PMDB), que é Corregedor da Assembléia”, sugeriu Rigo, acrescentando que nem Artuzi e nem o PDT provocaram essa situação.

Além de negar qualquer tipo de acordo visando dividendos políticos e lembrar que trouxe o caso a tona apenas porque seu nome foi citado pelo próprio Artuzi como mandante dos disparados contra a residência do pedetista, Zé Teixeira entregou à Mesa Diretora da Assembléia cópia do depoimento que Carlos deu na polícia no começo desta semana.

O democrata se reportou ainda ao laudo pericial no qual a polícia descartou a possibilidade de atentando ocorrido em maio deste ano no Distrito de Panambi, em Dourados, contra Artuzi, suspeito de ter forjado os disparados contra seu próprio veículo.

“Uma pessoa que age desta forma não tem nenhuma credibilidade. Eu trouxe a cópia do depoimento do senhor Carlos na delegacia, confirmando que o documento registrado em cartório é verdadeiro. Não procurei e não subornei ninguém, estou fazendo um benefício à população de Dourados, onde vivo há 46 anos, fico triste em usar a tribuna para tocar nesse assunto, mas o nível desceu tão baixo que tomei a liberdade de alertar a população”, desabafou Zé Teixeira, referindo-se a panfletagem supostamente feita pelo grupo político liderado por Artuzi.

Novas denúncias

Ainda em seu discurso na tribuna da Assembléia, Zé Teixeira garantiu ter sido procurado em seu escritório, em Dourados, também na campanha de 2006, por um senhor chamado Edmilson o qual lhe disse que teria registrado dois filhos a pedido de Artuzi.

"Ele me disse que queria tirar aquele peso de seus ombros, mas respondi que meu escritório não era o fórum adequado e que se ele quisesse mesmo fazer uma denúncia teria de ser no Ministério Público", colocou o deputado, garantindo ter recomendado Edmilson a procurar o promotor público Fernando Esgaib.

Zé Teixeira disse que depois que a audiência com o promotor foi agendada, o suposto denunciante nunca mais foi visto.

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