Sexta-feira, 16 de Novembro de 2007, 14h:49 -
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Especialistas pedem política integrada para deficientes
Notícias MS
Campo Grande (MS) - Violências cometidas contras pessoas com deficiência também foram abordadas na Conferência MS Contra a Violência no último dia nove. A psicóloga Alexandra Ayche Anache foi a responsável pela explanação que destacou a necessidade de políticas integradas com outros setores e de discussão da violência como causa da deficiência.
“Grande parte das pessoas deficientes a adquiriu após sofrer maus tratos. Para a maioria, a origem está na falta de saneamento básico. A conseqüência disso é mais violência com a marginalização e exclusão da pessoa da sociedade”, comentou a psicóloga.
A painelista ainda apontou que os principais agressores são pessoas próximas ao deficiente. “Eles são muito dependentes e muitas vezes não recebem a atenção ade quada, são inclusive mal-tratados por quem deveria cuidá-los. Essa carência pode levá-los a dar confiança às pessoas erradas. Exemplo disso é que os deficientes correm um risco oito vezes maior de sofrerem abuso sexual. Eles acabam confundindo violência com carinho”.
Para Alexandra Anache, um maior respeito pelos deficientes é a chave da mudança. “Eles não têm crédito. É preciso dar voz a essas pessoas, acreditar nelas. Precisamos superar o atendimento individual e ampliar para questões culturais, sociais, políticas, econômicas. Nesse contexto é importante fazer pesquisas, ter dados sobre esse tipo de violência para podermos identificar e eliminar fatores de risco”, sugeriu.
Os problemas foram levados ao grupo de trabalho que concluiu que a maior chance de sucesso no combate à violência contra deficientes está na criação de políticas integradas. Isso porque a deficiência não abrange um grupo específico, atinge pessoas de qualquer gênero, idade ou raça.
As principais ações necessárias são capacitação dos operadores de direito para melhor aplicação das leis específicas para os deficientes e criação de políticas de educação para conscientizar a comunidade sobre as necessidades desse público com o objetivo de diminuir a discriminação e exclusão social.