O Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) da Polícia Militar (PM) invadiu 18h10 desta sexta-feira (17) o apartamento onde o rapaz mantinha duas jovens reféns em Santo André, no ABC.
Pouco depois das 18h, enquanto era organizada uma coletiva de imprensa na região, foi ouvido um estrondo provocado por uma bomba de efeito moral. Policiais subiram até o apartamento e uma escada foi colocada em uma das janelas, por onde entrou um policial. A primeira pessoa a deixar o local foi a amiga da ex-namorada, Nayara Rodrigues, que saiu carregada em uma maca com manchas e sangue em sua roupa. Não se sabe se ela foi ferida por Lindemberg durante a invasão da polícia.
Logo depois, a ex-namorada do seqüestrador, Eloah Pimental, desceu carregada por um policial e recebeu os primeiros atendimentos de um médico ainda no local. Ela foi colocada em uma maca e levada para uma ambulância que estava estacionada junto ao prédio.
Lindemberg desceu as escadas logo depois escoltado por três policiais do Gate. Ele foi colocado em um carro da PM e rapidamente retirado do local.
Negociação
A ação ocorreu após o promotor de Justiça Augusto Rossini chegar ao local e apresentar um documento que garantia a integridade física dos envolvidos no caso. Segundo Eduardo Lopes, advogado de Lindemberg, a presença do promotor foi uma exigência do rapaz.
O jovem e a ex-namorada estavam trancados no apartamento da família dela desde as 13h30 de segunda-feira (13), quando Lindemberg invadiu o local, inconformado com o fim do namoro. Uma outra jovem de 15 anos, amiga da ex-namorada do rapaz, e dois garotos também chegaram a ser mantidos reféns.
Os dois garotos foram liberados ainda na noite de segunda. A adolescente, que foi liberada na terça-feira (14), voltou ao local na na manhã de quinta (16) como parte da estratégia de negociação. Ela permaneceu no local até que o rapaz se entregasse.
A volta dela ao apartamento, que foi criticada por parentes, será motivo de investigação, já que o Conselho Tutelar afirma que a medida da PM fere o Estatuto da Criança e do Adolescente. A PM nega e diz que ela não foi feita refém novamente e poderia sair do local quando quisesse.
Durante todo o tempo, Lindemberg estava com duas armas e munição. Ele chegou a usar um dos revólveres e atirou de uma janela do apartamento. A polícia informou que ele fez quatro disparos em dias diferentes.
Ciúmes
De acordo com o relato de parentes e da polícia, o rapaz invadiu o apartamento no Jardim Santo André motivado por ciúmes. Um dos adolescentes que também foi feito refém disse que o homem chegou nervoso ao local. “Ele disse que ela [ex-namorada] ferrou com a vida dele, porque ele terminou, mas ela não quis voltar. Disse que ficou um mês atrás dela e que se não ficasse com ele, não iria ficar com mais ninguém.”
Na tarde de quarta-feira (15), Alves afirmou, em entrevista por telefone ao SPTV, que pretendia liberar a adolescente de 15 anos, mas tinha intenção de avisar quando isso aconteceria. "Não precisa avisar. Porque eu liberei três pessoas e não aconteceu nada demais. Por que vou mudar de plano? Não vou dar hora, nem momento. Vai acontecer e pronto”, disse ele, por telefone.
Alves, que se mudou da Paraíba para a capital com a família ainda pequeno, contou que tentou conversar com a jovem, mas "ela sempre virava as costas e me deixava falando", afirmou. Ele foi descrito por vizinhos do conjunto habitacional onde também mora, no Jardim Santo André, como uma pessoa ciumenta, garantiu que "não queria voltar" com a ex-namorada. "Eu tinha deixado bem claro para a família dela. Não queria voltar; só ter uma conversa e ela não aceitava". (Com informações do G1)

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