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Opinião
Segunda-Feira, 19 de Agosto de 2019, 07h:00
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Dono da verdade

Por João Baptista Herkenhoff*

Artigo de responsabilidade do autor
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Não sou dono da verdade. Aceito com a mesma tranquilidade opiniões favoráveis ao que escrevo e opiniões contrárias a meu pensamento. Minha única preocupação é ser fiel às ideias em que acredito.

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João Baptista Herkenhoff - Artigo

João Baptista Herkenhoff

 

As proposições das quais discordamos podem revelar verdades que não conhecíamos.

Quando um texto, escrito por este ou por aquele, provoca controvérsias, isto prova que o autor disse alguma coisa.

Quando ninguém se manifesta, nem a favor, nem contra, o autor deve ficar desapontado porque, com toda certeza, discorreu sobre o sexo dos anjos.

O debate contribui para o avanço de um povo.

Alguns textos que escrevi em “A Gazeta”, de Vitória, foram rebatidos na coluna de Cartas dos Leitores, o mais democrático espaço do jornal.

Muitos outros foram elogiados e compartilhados.

Nasci em Cachoeiro de Itapemirim, uma cidade onde o pensamento divergente sempre circulou como senha de inteligência.

Newton Braga, símbolo de minha terra, foi um alternativo, no seu modo de viver. Renunciou a um cartório – vida financeira tranquila – porque um juiz de poucas luzes quis obrigá-lo a usar gravata durante todo o expediente. Recusou-se a sair de Cachoeiro para tornar-se tão famoso quanto o irmão (Rubem Braga) porque não podia viver longe do marulho das águas de seu rio (o Itapemirim). Criou uma festa, que é mais que uma festa – é um poema: o Dia de Cachoeiro. Uma festa alternativa porque baseada:
no afeto mais puro (uma festa de amor e de doçura);
na igualdade das pessoas (receberam o título de Cachoeirense Ausente Número –  um tipógrafo,  Trófanes Ramos; um cantor famoso, Roberto Carlos; um empresário, David Cruz).

De minha parte considero esse troféu o mais importante que poderia ter recebido durante toda a existência. Para um escritor, nascido na cidade guardada pelo Itabira, ser Cachoeirense Ausente Número Um é mais significativo do que ingressar na Academia Brasileira de Letras. Quem não é cachoeirense supõe que isto seja um exagero, mas exagero não é.

Na Academia entram gregos e troianos. Entram escritores e pseudo-escritores. A Academia rejeitou o ingresso de Geir Campos, rejeição que deslustrou a entidade e em nada diminuiu a glória do poeta que escreveu estes versos:

“Morder o fruto amargo e não cuspir mas avisar aos outros quanto é amargo. Cumprir o trato injusto e não falhar mas avisar aos outros quanto é injusto.”

Tenho a honra de ter sido Juiz de Direito em São José do Calçado, cidade natal de Geir Campos.

 

 

*João Baptista Herkenhoff
Juiz de Direito e escritor
Email – jbpherkenhoff@gmail.com

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