"Fica mais fácil acompanhar o processo lá em Brasília. Devemos ir para lá na sexta-feira ou segunda-feira", disse Eluf.
Antes de analisar o mérito do habeas corpus, o presidente do STJ, ministro Humberto Gomes de Barros, vai aguardar informações do Ministério da Justiça e do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, além de parecer do Ministério Público Federal.
Extraditado para o Brasil, Cacciola chegou às 4h30 de hoje ao Rio, onde foi levado para o presídio Ary Franco, em Água Santa (zona norte do Rio). À tarde, ele deve ser transferido para o de Bangu 8.
Cacciola deixou Mônaco de helicóptero ontem e seguiu para Paris, onde embarcou num avião da TAM em direção ao Brasil. Ele viajou na classe econômica do avião, na última fileira da aeronave. Graças a uma liminar obtida no STJ, Cacciola não foi algemado na chegada ao Brasil nem fotografado.
Cacciola estava acompanhado por uma escolta formada por agentes da Polícia Federal e funcionários do Ministério da Justiça.
Ele foi preso em Mônaco enquanto passava um final de semana de lazer, longe da Itália --país do qual tem a nacionalidade e de onde não poderia ser extraditado para o Brasil em decorrência de acordos diplomáticos.
O ex-dono do Banco Marka estava foragido do Brasil havia oito anos. Ele foi condenado à revelia no Brasil a 13 anos de prisão pela prática de vários crimes.
Entenda o caso
Em 1999, o banco Marka quebrou com a desvalorização cambial. Mas contrariando o que ocorria no mercado, o Marka e o banco FonteCindam assumiram compromissos em dólar.
O banco de Cacciola, por exemplo, investiu na estabilidade do real e tinha 20 vezes seu patrimônio líquido comprometido em contratos de venda no mercado futuro de dólar.
O Banco Central socorreu as duas instituições, vendendo dólares com cotação abaixo do mercado, tentando evitar que quebrassem. A justificativa para a ajuda oficial às duas instituições foi a possibilidade de a quebra provocar uma "crise sistêmica" no mercado financeiro.
Em 2005, a juíza Ana Paula Vieira de Carvalho, da 6ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, condenou Salvatore Cacciola, à revelia, a 13 anos de prisão.
O então presidente do BC, Francisco Lopes, recebeu pena de dez anos em regime fechado e a diretora de Fiscalização do BC, Tereza Grossi, pegou seis anos. Os dois recorreram e respondem ao processo em liberdade.
Em 18 de setembro do ano passado, a juíza federal Simone Schreiber, da 5ª Vara Federal Criminal do Rio, determinou a prisão preventiva do ex-banqueiro.
Na sentença, concedida a pedido do Ministério Público Federal, a juíza determina não só a expedição do mandado de prisão contra Cacciola, como manda informar o Ministério da Justiça do interesse na extradição do ex-banqueiro para o Brasil.
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