Das 645 cidades paulistas, 127 apresentam pelo menos 300 casos por 100 mil habitantes, patamar usado pelo Ministério da Saúde como critério para caracterizar a epidemia. Os cálculos utilizaram os registros da doença no Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE) de São Paulo e os dados de população do IBGE.
Considerando o Estado todo, o quadro é diferente: com 65.869 casos e 41 milhões de habitantes, o índice cai para 161 casos para 100 mil habitantes. Foram registradas 16 mortes
neste ano no Estado.
Na última terça, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, afirmou que o país vive uma epidemia de dengue, apesar de o índice ser inferior ao critério adotado pela sua pasta:
são 481.316 pessoas infectadas para 190 milhões ou 253 vítimas em 100 mil habitantes.
No entanto, o ministro demonstrou preocupação com o aumento do número de mortes: 121 em 2007, contra 77 em todo o ano passado. O número de casos da doença no país também
cresceu 49,77% de janeiro a setembro, em relação a igual período de 2006.
Interior
Cidades pequenas têm a pior situação no Estado de São Paulo. A campeã de casos é a pequena Sales, onde uma em cada 20 pessoas teve dengue neste ano.
A cidade de São Paulo, com 2.339 casos, ainda está longe de uma epidemia, mas outras cidades de porte médio, como São José do Rio Preto, Campinas, Ribeirão Preto e Bauru, enfrentam a epidemia.
Mesmo durante o inverno, quando o mosquito transmissor tem dificuldade de se proliferar e os números da doença costumam diminuir, o CVE registrou casos: 400 em julho, 79 em agosto e 25 em setembro.
No entanto, Affonso Viviani Junior, diretor da Sucen (Superintendência de Controle de Endemias) da Secretaria de Estado da Saúde, afirma que o número de 127 cidades com índice epidêmico não reflete a realidade da doença no Estado.
"Esse número aparece porque o índice dos casos é cumulativo. Casos da primeira semana epidemiológica estão na somatória. O comportamento do vírus nas últimas semanas está
fora de qualquer situação epidêmica", diz.
Segundo Viviani, a circulação do vírus tem acontecido em no máximo 20 municípios. "Até a semana epidemiológica 26, que é a da metade do ano, tivemos o registro de quase 65 mil casos. Das outras semanas até agora, não ultrapassamos mil.''
O governador José Serra (PSDB) e o secretário da Saúde, Luiz Roberto Barradas Barata, descartaram ontem que o Estado enfrente uma epidemia. Para Serra e Barradas, a situação
em São Paulo está controlada.
Barradas ressalta que o crescimento percentual da dengue no Estado em relação ao ano passado é menor que a alta no índice nacional.
Apesar de a situação não ser considerada alarmante, a previsão de gastos do Estado com a
dengue em 2007 é o dobro do ano passado. "No total, vamos gastar cerca de R$ 40 milhões",
disse o secretário. O Estado também montou esquadrões antidengue com a contratação de 120 agentes de campo.
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