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Internacional Segunda-feira, 21 de Julho de 2008, 18:55 - A | A

Segunda-feira, 21 de Julho de 2008, 18h:55 - A | A

Segundo Amorin, dia de negociações na OMC foi \"totalmente inútil\"

Da Redação - (DA)

O primeiro dia de negociações sobre a liberalização do comércio mundial no âmbito da OMC (Organização Mundial do Comércio) foi "totalmente inútil", afirmou nesta segunda-feira em Genebra o ministro brasileiro das Relações Exteriores, Celso Amorim. Começou formalmente hoje uma reunião entre 35 países-chave dos 153 Estados-membros da OMC para tentar destravar as negociações da Rodada Doha.

Saiba mais sobre a OMC e a Rodada Doha

"Sem surpresas, mas também sem idéias. Estamos no mesmo ponto anterior da reunião", afirmou Amorim ao final do primeiro dia do encontro, um dos únicos em que representantes de todos os países envolvidos estarão presentes.

"Talvez tenha sido uma reunião necessária, era preciso fazê-la, mas realmente e totalmente inútil do meu ponto de vista, porque não ouvi nenhuma idéia nova, nenhuma sugestão. Esperemos amanhã", afirmou.

A Rodada Doha está polarizada entre os pedidos dos países emergentes, por um maior acesso aos mercados agrícolas dos países ricos, e os dos Estados Unidos e Europa, que pretendem maior abertura para suas exportações de produtos industrializados.

A representante de comércio dos Estados Unidos, Susan Schwab, foi mais positiva ao comentar o primeiro dia de discussões. "Alguns países começaram a falar realmente do que podemos fazer, centralizando-se no que podem fazer e no que não podem", declarou.

Mal-estar

Mais cedo, Schwab desfez a imagem de que o comentário de Amorim sobre o chefe da propaganda nazista, Joseph Goebbels, serviria para desviar a atenção do foco, que é a retomada das negociações da Rodada Doha.

Comentário: Declaração infeliz expõe má vontade em negociar

"Esta não é a hora nem a semana para cair de novo em retórica ultrapassada --destinada a perpetuar velhas divisões e criar outras novas", disse Schwab, durante entrevista no primeiro dia da retomada das negociações da Rodada Doha de liberalização do comércio mundial. "Estamos esperando para ver contribuições de outros, inclusive dos mercados emergentes mais significativos" para que se chegue a uma conclusão bem sucedida da rodada, afirmou.

No último sábado (19), Amorim comparou a resistência dos países ricos em negociar com a atitude do chefe da propaganda da Alemanha nazista, Joseph Goebbels --o ministro lembrou que, em sua estratégia, Goebbels dizia que uma mentira contada muitas vezes acaba sendo aceita como verdade.

Schwab --que é descendente de sobreviventes do holocausto-- foi a primeira a reagir, através de seu porta-voz Sean Spicer. Ela disse que "no momento em que tentamos encontrar um resultado bem sucedido para as negociações, esse tipo de declaração é altamente infeliz". "Para alguém que é ministro de Relações Exteriores, ele devia estar mais atento para alguns pontos sensíveis". Spícer ainda afirmou: "[Amorim] fazer declarações desse tipo é incrivelmente errado. Elas são insultuosas."

Amorim pediu desculpas ontem mesmo pela declaração, mas sustentou que "repetir uma distorção faz com que as pessoas acreditem que ela é a verdade". (Fonte: Folha On Line)

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