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Interior Sábado, 24 de Novembro de 2007, 11:55 - A | A

Sábado, 24 de Novembro de 2007, 11h:55 - A | A

Área quilombola de Dourados já é estudada pelo Incra

Redação Capital News (www.capitalnews.com.br)

O Governo Federal deve expedir até 2010, 713 relatórios das 1.170 certidões de auto-reconhecimento das áreas remanescentes de quilombos. Em Dourados, a comunidade quilombola localizada no distrito de Picadinha já recebeu o antropólogo que produziu um relatório administrativo para o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária).

De acordo com entrevista do Em Questão, a ministra da Igualdade Social, Matilde Ribeiro, os relatórios são determinantes para o processo de regularização fundiária, pois atestam o reconhecimento da presença dos quilombos em determinado território e a demarcação das terras por meio de estudos científicos com laudos antropológicos e históricos. A ministra acrescenta que para a etapa subseqüente - indenização aos ocupantes das terras demarcadas e tituladas -, serão destinados recursos para uma área total de 2.580.000 hectares, a fim de possibilitar a regularização de 60% das comunidades quilombolas demandantes.

Em Dourados, 14 famílias vivem na área remanescente de quilombo formada pelas terras de Felipe Dezidério de Oliveira. Outras 21 famílias que descendem do patriarca, moram nos bairros de Dourados, sendo que deste total, 16 estão na região do Jardim Flórida.

Por isso, a prefeitura municipal criou no Parque Ambiental Antenor Martins um busto em homenagem ao remanescente dos quilombolas, Felipe Dezidério de Oliveira, no Parque Antenor Martins.

A comunidade quilombola de Dourados está organizada através da Associação Quilombola Dezidério de Oliveira, cujo presidente é Ramão de Oliveira, descendente de Dezidério.


De onde surgiram os quilombolas de Dourados?


De acordo com estudo do Comafro, Dezidério Felipe de Oliveira, descendente de famílias escravas, nasceu em 1867, no Estado de Minas Gerais, e por meio de uma comitiva de boiada, chegou à Vista Alegre, localizada no município de Maracaju. Nesta cidade, conhece uma índia Terena, de nome Maria Cândida de Oliveira, com quem se casou e teve os quatro primeiros filhos: Benvida Felipe de Oliveira, Tomaz Felipe de Oliveira, Madalena Felipe de Oliveira e Miguel Felipe de Oliveira.

Na primeira década do século XX, Dezidério e sua família chegam a então Vila Dourados, comarca de Ponta Porã, onde nascem seus outros oito filhos: Cândida Felipe de Oliveira, Maximiliana Felipe de Oliveira, João Rosa de Oliveira, Alfredo Felipe de Oliveira, Antonio Felipe de Oliveira, Elisia Felipe de Oliveira, Felipe de Oliveira e Benedito Felipe de Oliveira.

Em Dourados o pioneiro Dezidério consegue por intermédio de João Batista de Azevedo, a aquisição de 3.748 hectares de terra, originando a Fazenda Cabeceira de São Domingos, localizada no atual Distrito de Picadinha. Em suas terras produzia para subsistência arroz, feijão, mandioca, e mantinha criação aves e porcos. Como atividade econômica, criava gado e mantinha o cultivo de erval, o qual comercializava em Campo Grande , enviando sua produção através dos carros de boi. Outro ramo econômico desenvolvido por Dezidério e seus filhos Miguel, Antonio e Tomaz foi a formação de cafezal, chegando a trabalhar junto com Marcelino Pires nesta empreita.

O pioneiro Dezidério Felipe de Oliveira faleceu no ano de 1935. Atualmente quatorze famílias descendentes de Dezidério residem na área que restou da Fazenda Cabeceira de São Domingos e outras vinte e uma famílias estão morando em bairros periféricos de Dourados. Essas famílias descendentes do pioneiro Dezidério, recentemente organizaram a Associação Rural Quilombola "Dezidério Felipe de Oliveira" para preservar viva a memória e a resistência de seu patriarca na luta pela qualidade de vida.

 

(COm informações do Dourados News)

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