- De quatro em quatro anos a gente luta tanto, sofre muito por estar longe das pessoas de quem a gente gosta. Essa medalha de bronze foi muito importante. Há dois dias, a gente sofreu muito, mas sempre há o sol depois de uma derrota – afirma Emanuel, em entrevista à TV Globo.
A medalha de ouro dos Jogos ficou com os americanos Rogers e Dalhausser, que levaram a melhor sobre Márcio e Fábio Luiz na decisão.
A vitória e a medalha consagram uma parceria que superou um drama para subir ao pódio. Ricardo, que disputou os jogos tentando se recuperar de uma fratura no tornozelo esquerdo, não deu sinais da lesão. Mostrou a garra de um atleta que coleciona três medalhas em três participações olímpicas: prata em Sydney-2000 (ao lado de Zé Marco), ouro em Atenas-2004 e agora, bronze em Pequim-2008. Em uma cena rara de se ver, com os olhos cheios de lágrimas, ele resumiu o sentimento da dupla.
- Para a gente, esse bronze valeu como ouro. É um momento único. Aqui, tudo se torna eternidade.
Erros de adversários facilitam vida da dupla verde-amarela
Após um dia de chuva forte em Pequim, até o astro-rei saiu para ver os campeões de 2004 enfrentarem seus amigos e companheiros de treino, que defendem a Geórgia e contam com a mesma comissão técnica. Era um prelúdio do que estava por vir.
Derrotados por Márcio e Fábio Luiz nas semifinais, Ricardo e Emanuel cumpriram a promessa de jogar concentrados na luta pelo bronze. Desde o início, a superioridade da dupla ficou clara. Com tranqüilidade e ajudados pelos erros dos "georgianos", eles abriram 18 a 12. Renatão e Jorge tentaram reagir, mas a diferença era irreversível. Em uma largadinha de Emanuel, os favoritos fecharam em 21 a 15.
O que parecia uma vitória tranqüila virou um passeio no segundo set. Ricardo e Emanuel não precisaram fazer muito esforço para abrir 7 a 2 no placar. Renatão e Jorge cometeram erros bobos e foram presa fácil diante da dupla verde-amarela, que rapidamente aumentou a diferença 16 a 5. Nem deu tempo para a torcida se emocionar. Emanuel explorou o bloqueio de Renatão para fechar em 21/10 e garantir a segunda vaga brasileira no pódio de Pequim. Pouco antes, sob os aplausos da arena lotada, Emanuel foi para o saque no macth point e, com o olhar, percorreu lentamente as arquibancadas, consciente de vivenciar um momento único, que a torcida brasileira espera não ter sido o derradeiro e feliz capítulo de uma vitoriosa história olímpica. (Globo Esporte)
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