Quarta-feira, 24 de Setembro de 2008, 13h:35 -
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Projeção para crescimento do PIB sobe para 5,15%
Redação Capital News (www.capitalnews.com.br)
A Pesquisa de Projeções e Expectativas de Mercado da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) apontou em setembro um aumento da projeção do Produto Interno Bruto (PIB) para 2008 de 4,79% para 5,15%. De acordo com o economista-chefe da Febraban, Rubens Sardenberg, essa elevação é efeito do aumento do PIB de 6,1% registrado no segundo trimestre em relação ao mesmo período do ano passado. A pesquisa ouviu economistas de 26 bancos entre os dias 17 e 19 de setembro.
Para 2009, as instituições ouvidas indicaram uma redução da taxa de crescimento do País, que passou de 3,90% para 3,75%. "Essa redução na margem está relacionada ao aperto monetário adotado pelo Banco Central desde abril e também pela desaceleração da economia mundial provocada sobretudo pela atual crise financeira", comentou Sardenberg.
A pesquisa apontou que as projeções para a produção industrial seguiram os movimentos registrados pelo PIB, pois subiram de 5,33% para 5,64%, enquanto baixaram para o próximo ano de 4,52% para 4,20%. A taxa de expansão da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) também segue trajetória semelhante: deve subir de 12,81% para 13,40% este ano, mas deve recuar um pouco em 2009 de um incremento de 10,45% para 9,79%.
Devido à política monetária restritiva e ao desaquecimento do PIB global, os especialistas acreditam que o IPCA em 2008 deve subir 6,19%, taxa inferior aos 6,48% apurados na pesquisa de julho. Para o ano que vem, as projeções para o IPCA apresentaram pequena elevação, passando de 4,93% para 4,94%, números superiores à meta de 4,50% estipulada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
IGP-M
No caso do IGP-M, as previsões baixaram de 12,10% para 10,24% em 2008 e recuaram para 2009 de 5,74% para 5,49%. Os economistas dos bancos não alteraram as projeções de alta para a Selic ao fim de 2008 - elas permaneceram em 14,75%. "Para 2009, as projeções recuaram um pouco de 14,0% para 13,75%, devido provavelmente à redução do nível de atividade do País, causada pela elevação dos juros este ano e pela crise internacional, o que deve reduzir a necessidade do Banco Central elevar os juros no ano que vem", afirmou Sardenberg.
Balança comercial
A pesquisa apontou que o saldo da balança comercial deve registrar redução do superávit comercial em 2008 de US$ 23,4 bilhões, apurado em julho, para US$ 22,9 bilhões. Para 2009, as expectativas baixaram de US$ 15,48 bilhões para US$ 12,88 bilhões. Na avaliação de Sardenberg, a desaceleração da economia mundial tende a reduzir a corrente comercial em 2008 e 2009.
De um lado, as vendas externas de produtos nacionais cairiam devido à menor demanda de clientes estrangeiros, enquanto as compras de mercadorias fabricadas em outros países podem baixar por causa do nível de atividade no Brasil. Em função do saldo comercial menor, o déficit de transações correntes deve subir.
O resultado negativo, avaliam, deve aumentar de US$ 22,05 bilhões para US$ 24,01 bilhões neste ano e de US$ 29,8 bilhões para US$ 32,04 bilhões em 2009. Apesar da crise financeira internacional, o Brasil não deve registrar recuos expressivos dos Investimentos Estrangeiros Diretos (IED) no médio prazo, pois as projeções dos especialistas recuaram de US$ 33,93 bilhões para US$ 33,11 bilhões em 2008 e para o próximo ano baixaram de US$ 31,49 bilhões para US$ 29,80 bilhões.
"As contas externas devem apresentar efeitos do desaquecimento global, mas como o País apresenta boas condições gerais da sua economia, não deve registrar problemas expressivos nessa área", afirmou Sardenberg. (Fonte: Tribuna da Imprensa)