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Economia Sábado, 27 de Outubro de 2007, 09:57 - A | A

Sábado, 27 de Outubro de 2007, 09h:57 - A | A

Bovespa fecha em alta de 3,10% e bate 40º recorde neste ano

Folha Online

A Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) bateu seu 40º recorde neste ano, sustentada por um giro bilionário de negócios e pela busca dos investidores pelas ações de maior destaque no mercado brasileiro: Petrobras e Vale do Rio Doce.

A ação própria da Bolsa, que estreou hoje, disparou mais de 40%, num reflexo da expectativas dos investidores estrangeiros no mercado acionário brasileiro. "É uma forte prova de confiança dos estrangeiros no crescimento das receitas futuras da Bolsa, e trouxe otimismo para o restante do mercado [brasileiro]", afirma Max Bueno, analista da corretora Spinelli.

Os R$ 4 bilhões negociados em ações próprias da Bovespa também ajudaram a derrubar a taxa de câmbio. Apesar da intervenção do Banco Central, o preço da moeda americana caiu para R$ 1,76, o menor valor em sete anos. Analistas já falam que, nos próximos dias, a taxa pode chegar a R$ 1,75.

"Não há comprador [de dólar] no mercado, só o BC. Contra fluxo [de recursos], não há argumento, e ninguém quer perder dinheiro apostando numa posição que vai contra o restante do mercado", afirma Ideaki Iha, analista da Fair Corretora.

A euforia de hoje pode ser medida pelo Ibovespa, o índice que reflete as ações mais negociadas, e portanto a maior parcela dos negócios na Bolsa. Esse índice teve um salto de 3,10% e chegou à casa dos 64.275 pontos, uma marca histórica. Também representa o 40º recorde batido pela Bolsa somente neste ano. Corretoras já falam que o índice pode atingir a marca dos 67.500 até o final de dezembro.

Analistas explicam o desempenho da Bolsa brasileira por dois fatores principais: primeiro, o desempenho global das Bolsas de Valores --os pregões europeus e americanos também subiram com força. O lucro da gigante de informática Microsoft deu a senha para os investidores irem às compras.

No Brasil, foram as ações "estrelas" da Bolsa que puxaram os ganhos do dia. Juntas, as ações preferenciais da Petrobras e da Companhia Vale do Rio Doce movimentam mais de R$ 1,3 bilhão, dos R$ 10 bilhões negociados hoje.

A ação da estatal petrolífera foi favorecida pela disparada dos preços do petróleo, que chegou ao pico histórico de US$ 92 o barril na praça de Nova York (a referência global). Já a Vale, cuja ação já dobrou de preço, é favorecida pelas expectativas de que os lucros cresçam mais com a demanda por commodities metálicas.

Riscos

Max Bueno, da Spinelli, vê pelo menos dois fatores principais de risco para o desempenho futuro da Bovespa. Primeiro, alta do petróleo, o que pode impactar a inflação dos países centrais e provocar uma reação dos bancos centrais, isto é, um aperto nos juros.

Segundo, os efeitos da crise dos créditos "subprime". O balanço do banco Merrill Lynch, com prejuízo de US$ 2 bilhões, sinalizou que o setor bancário pode levar alguns anos para se recompor de todas as perdas com os "papéis podres" do setor imobiliário americano.


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