Após cinco quedas seguidas, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) registra alta nesta terça-feira (28), em meio a um dia de calmaria nos mercados financeiros internacionais. Às 12h45, o Ibovespa - referência para o mercado brasileiro - mostrava valorização de 2,7%, aos 30.229 pontos. Mais cedo chegou a subir 6%.
No dia, os investidores seguem o desenrolar da crise mundial, enquanto mantém a cautela e aguardam a divulgação dos novos níveis das taxas de juros nos EUA e no Brasil, marcadas para quarta-feira.
O Banco da Inglaterra, o banco central britânico, estimou que as perdas globais para bancos e investidores na crise financeira podem chegar a US$ 2,8 trilhões. O número é equivalente a mais de duas vezes o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro (de US$ 1,3 trilhão, segundo dados do Banco Mundial).
Com isso, as instituição financeiras globais preparam fundos de socorro para países emergentes. Após ajudar países como Ucrânia, Islândia, Hungria e Paquistão, o Fundo Monetário Internacional (FMI) estuda a criação de uma nova linha de crédito para países emergentes que têm boa situação macroeconômica, mas estão sofrendo por causa do contágio da crise internacional.
Cenário mundial
O alívio financeiro influencia a Bolsa de Nova York, que registra valorização acentuada de seus principais indicadores. Por volta das 12h, o índice Dow Jones, subia 3,43%, para 8.455,81 pontos. O termômetro de tecnologia Nasdaq ganhava 3,35% e o indicador Standard & Poor's 500 tinha valorização de 3,34%.
Na Europa, as bolsas também registram um dia de recuperação. Por volta das 11h30 de Brasília, o o índice FTSE-100 de Londres registrava alta de 3,01%. Em Paris, o CAC-40 subia 2,28%, e também se registravam valorizações em Madri (0,66%), Milão (0,59%) e Estocolmo (2,28%).
O destaque na Europa, no entanto, é a Bolsa de Frankfurt, na Alemanha, onde o índice DAX disparava 8,33%, puxado pelas ações da Volkswagen, prosseguindo com a tendência de alta iniciada na véspera pela tomada de controle da Porsche sobre a empresa. Na segunda-feira, a ação da Volkswagen teve alta de 146%.
Na Ásia, o dia também foi de altas. O índice Nikkei da Bolsa de Tóquio, que chegou a operar no vermelho no início desta terça, fechou o dia em alta de 6,40%. A Bolsa de Valores de Seul, na Coréia do Sul, também mostrou recuperação. Seu mais importante índice, Kospi, encerrou com ganhos de 5,57%. Em Xangai, a alta foi de 2,81%. O indicador, porém, ainda acumula perdas de 66% desde o começo do ano, o pior comportamento do mercado asiático.
Quinta queda seguida
Na segunda-feira, a Bovespa, que operou em queda durante todo o dia, acumulou forte desvalorização no fim do pregão, acompanhando a piora do humor de Nova York. Com isso, o índice fechou abaixo dos 30 mil pontos pela primeira vez em exatos três anos, desde outubro de 2005.
O índice Ibovespa - referência para o mercado brasileiro - teve baixa de 6,5%, fechando aos 29.435 pontos. O volume de negócios mostra que a bolsa está atraindo um número menor de investidores. No dia, ficou em R$ 3,24 bilhões, bem abaixo dos R$ 6 bilhões que eram registrados no primeiro semestre.
Com a intensificação da queda no fim do pregão, além de cair abaixo do patamar de 30 mil pontos, a Bovespa acumulou a quinta desvalorização seguida, acumulando, desde a última terça-feira, queda superior a 25%. Desde o início do ano, as perdas do índice já encostam em 54%. Em relação ao "pico" do Ibovespa, em 20 de maio (73.516 pontos), a queda é de 59,96%. (G1)

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