A escola municipal Agrotécnica Padre André Capelli, no distrito do Panambi, realiza hoje (29) e amanhã a exposição de peças antigas utilizadas pelos colonos no período da CAND (Colônia Agrícola Nacional de Dourados). A exposição funciona das 8h às 16h.
O projeto, que está incluído na Cidade Educadora, é coordenado pela professora de história Nely Aparecida Maciel, com o objetivo de incentivar os alunos a valorizar a história do município. Na abertura do evento a professora explicou que este é “um modo de preservar a memória e a cultura local”.
O Museu da Escola Agrotécnica tem exposição de mais de 800 peças, entre elas ferramentas agropecuárias, objetos domésticos, moedas, roupas, artesanatos e objetos indígenas.
A religiosidade dos colonos está exposta em santuários, relicários, objetos talhados em madeira e outras obras de arte. A coleta dos materiais foi feita com o auxílio de professores, funcionários e amigos da região da escola.
Participam do projeto os alunos do 6º ao 9º ano, além de pessoas da comunidade que também decidiram se instalar em Dourados à partir de 1943. Para Dourados vieram principalmente italianos, alemães, portugueses e japoneses. Dourados fez ainda com que a imigração interna no país fosse incentivada, chegando à Dourados nordestinos, gaúchos e paulistas.
Essas pessoas construíram suas vidas em Dourados. “Eu cheguei com 12 anos de idade vinda da Bahia com toda a minha família e aqui conheci meu marido que veio de Pernambuco. Morei em Douradina, Barreirão e agora
Há também quem tenha encontrado a paz que buscava em terras douradenses. “Meus bisavós vieram para cá depois da 2ª Guerra junto com um monte de outros colegas. Eles vieram do Japão para o Barreirão. Meu pai era japonês, mas minha mãe era descendente de italianos”, explica Larissa Miti Chirota. Os avós de Carlos Henrique de Oliveira Ueno também são desta época, eles vieram do Japão para Vila São Pedro. “Por parte de pai minha família é japonesa, mas por parte de mãe é brasileira”, afirma o aluno.
Na história de Dourados há também os primeiros donos das terras, os indígenas que quando houve a Reforma já moravam por estas terras há milhares de anos. Para expor no Museu ,eles trouxeram objetos de casa. “Eu trouxe objetos da casa de reza que estão na família desde antes de meu avô”, explica Nilson Lopes Benites que é da etnia Kaiowá. “Eu achei bom trazer o artesanato que meu povo produz”, acrescenta Atos Rodrigues Martins.
A Colônia Agrícola foi criada em 1943 pelo presidente Getúlio Vargas seguindo o projeto de expansão da “Fronteira Oeste” do Brasil. Foram destinados para o programa 300 mil hectares que foram divididos em lotes de 30 hectares para cada família. A entrada para ver a exposição é gratuita.
(Com informações da Prefeitura de Dourados)
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