O Projeto Ver no Museu consiste na exibição de vídeos seguida de debate mediado por especialistas e formadores de opinião e tem como objetivo formar público crítico apreciador de cinema e debater questões estéticas, históricas e conceituais relacionadas aos filmes e vídeos exibidos.
Esta Edição especial faz parte da programação do Marco em comemoração aos 100 anos de Imigração Japonesa. A seleção dos filmes foi feita pelo produtor audiovisual Jean Albernaz que vai mediar debate nos dois dias de exibição.
Albernaz é produtor audiovisual, formado em Rádio e TV pela UCDB e especialista em Imagem e Som pela UFMS. Foi apresentador da FM Regional do programa Microfonia, escreveu e dirigiu o curta de ficção "Estanque" e ministrou aulas de produção audiovisual para alunos do ensino fundamental e segundo grau.
Shuji Terayama
Por Jean Albernaz
Shuji Terayama não é um nome desconhecido dentro do Japão, escreveu de peças de teatro a poesias, foi premiado por novelas de rádio e longa-metragens, publicou mais de 200 trabalhos literários e realizou cerca de 20 filmes. Em um legado extenso e diversificado, A quebra de regras e convenções feitas pelo autor é um contraste familiar, já que seu pai foi um dos agentes da censura japonesa antes de morrer na II Guerra Mundial.
A ruptura da estrutura familiar foi essencial na formação de Shuji: a mãe o deixou com familiares para trabalhar em uma base militar americana no Japão pós-guerra e ele dormia atrás de uma tela de cinema, de forma quase poética, assistindo noite após noite imagens invertidas.
Devido a uma doença, abandonou a Universidade e passou a se dedicar integralmente a leitura e a boêmia, trabalhando em bares de Shinjuku. A negação do mundo acadêmico é assunto de muitos de seus textos, onde ele afirma que se aprende mais sobre a vida em bares, lutas de boxe e corridas de cavalo do que estudando.
Talvez a epítome desse pensamento seja a seu livro/peça transformado em filme "Jogue seus livros e vagabundeie pelas ruas" (Sho o suteyo machi e deyou – 1971). Seus trabalhos em cinema passeiam por um mundo onde todas as estruturas sociais são questionadas e desafiadas com a raiva e agressividade adolescente mas com uma sensibilidade e riqueza de símbolos impressionante.
Terayama morreu precocemente em 1984. Nunca ganhou um grande prêmio internacional (foi apenas indicado a dois Cannes e ganhou um festival menor catalão) mas no Japão o impacto da sua poesia anarco-surreal não tem como ser esquecida.
Mais informações no Marco, unidade da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS), localizada na Rua Antônio Maria Coelho, 6000 - Parque das Nações Indígenas. Telefone (67) 3326-7449. ou no site do museu: www.marcovirtual.com.br (Com Assessoria)
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