Segundo o procurador-geral de Justiça, Miguel Vieira da Silva, até a tarde de ontem o MPE tinha colhido 30 depoimentos. Com as informações obtidas até agora já é possível iniciar o processo de conclusão das investigações.
Miguel Vieira esclarece que entre as pessoas ouvidas estão testemunhas sem nenhuma ligação com o esquema, mas que detinham informações que contribuíram para o avanço das apurações.
Quem está à frente das investigações é a promotora Ester Souza de Oliveira. O MPE tem protegido a identidade dos depoentes para evitar especulações e pré- julgamentos.
Ontem, depoimentos foram prestados na sede da Unicoc (Unidade Integrada de Combate às Organizações Criminosas) em Campo Grande.
Miguel Vieira da Silva acredita que na metade da próxima semana, os promotores devam protocolar a denúncia no Fórum de Campo Grande. “A promotora já está terminando a coleta de informações”, salientou o procurador-geral de Justiça.
Os depoimentos colhidos pelo MPE foram acompanhados por uma força-tarefa montada no Detran-MS. Quem comanda a equipe é o delegado de polícia Sidney Alberto.
Beneficiários das fraudes
No início deste mês coube ao delegado apurar a pedido do MPE uma lista contendo 12 nomes de alunos que supostamente teriam se beneficiado do esquema de fraudes para a retirada de CNHs.
Os primeiros convocados para depoimentos foram alunos e testemunhas. O objetivo era colher subsídios para somente depois ouvir os servidores suspeitos de fraude.
As suspeitas, aliás, levaram o Detran-MS a afastar no dia 26 de junho cinco examinadores que estariam garantindo a emissão de CNHs para pessoas inaptas à direção de veículos.
Os servidores foram remanejados para outras funções internas no órgão. Se confirmadas as suspeitas podem até ser exonerados.
Também foi afastado um funcionário do setor de vistoria de veículos suspeito de cobrar propina para aprovar os carros.
MPE de São Paulo
O escândalo veio à tona através de investigação do Ministério Público de São Paulo, junto com o do Estado, que apura a produção ilegal de milhares de CNHs falsas no país, sendo pelo menos 4 mil em Mato Grosso do Sul.
A Justiça paulista autorizou quebras de sigilo telefônico e identificou várias conversas que acabaram respingando em Mato Grosso do Sul.
Durante as investigações, o MPE de MS manteve troca de informações com os promotores paulistas.
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