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Cotidiano Quinta-feira, 25 de Outubro de 2007, 12:34 - A | A

Quinta-feira, 25 de Outubro de 2007, 12h:34 - A | A

Defesa de Cacciola diz que mandado de prisão é falso

Agência Estado

Em audiência do caso Salvatore Cacciola, hoje em Mônaco, o advogado de defesa Frank Michel apresentou duas cópias de um mesmo mandado de prisão supostamente emitido pela Justiça brasileira em 2000. Os documentos teriam o mesmo responsável, mas assinaturas diferentes. Sensível à suspeita apresentada pela defesa, os juízes do Tribunal de Apelações de Mônaco decidiram abrir uma investigação sobre a autenticidade dos mandados.

De acordo com o advogado de defesa, um mandado de prisão emitido pela Justiça brasileira em 19 de setembro de 2000 foi usado para sustentar o primeiro pedido de extradição feito contra Cacciola, quando de sua prisão na Itália, em 2000. À época, os juízes negaram-se a extraditá-lo porque o ex-banqueiro, nascido em Milão, tem cidadania italiana. Supostamente o mesmo mandado, também datado de 19 de setembro de 2000 e assinado pelo mesmo magistrado brasileiro, teria sido entregue pelo Ministério da Justiça ao governo de Mônaco sete anos depois. Os dois documentos, contudo, teriam assinaturas diferentes.


"Afirmei no Tribunal de Apelações que o documento é falso e pedi a abertura de uma investigação. Ainda não sabemos quem cometeu a falsificação, nem quando o segundo documento foi realmente feito", disse Frank Michel ao Estado. "Mas se ficar comprovado que o mandado de prisão datado de 2000 foi feito na realidade em 2007, isso será grave aos olhos da Justiça de Mônaco."


Essa reviravolta se somou a uma falha do Ministério Público monegasco, que não enviou os documentos traduzidos para o francês pelo Ministério da Justiça brasileira a nenhum dos advogados de Cacciola até as vésperas da audiência. O dossiê havia sido entregue pelo Itamaraty no início de outubro ao governo de Mônaco. A decisão sobre a extradição ou não do ex-banqueiro para o Brasil foi adiada para 22 de novembro, e até lá o Ministério da Justiça terá de se explicar à procuradoria monegasca.

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