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Cotidiano Sábado, 25 de Maio de 2013, 12:24 - A | A

Sábado, 25 de Maio de 2013, 12h:24 - A | A

Estudantes protestam contra importação de médicos

Samira Ayub - Capital News (www.capitalnews.com.br)

Estudantes de medicina e entidades de todo o país organizaram na manhã deste sábado (25) manifestações contra a intenção do Governo Federal de importar médicos estrangeiros para atuar nas periferias e cidades pequenas, sem necessidade de revalidar os diplomas. Em Campo Grande, alunos realizaram uma manifestação na Praça do Rádio Clube e fizeram caminhada na avenida Afonso Pena.

O movimento contrário a essa medida, o Revalida Sim! que teve início nas redes sociais, contou com a participação do deputado federal Luiz Henrique Mandetta (DEM) e do ex-diretor do Serviço de Atendimento Médico de Urgência (SAMU), Eduardo Cury.

Para o deputado a importação em massa de médicos estrangeiros sem a revalidação dos diplomas, é uma medida política. “Essa medida é para dar uma satisfação para a opinião pública de que o Governo está fazendo alguma coisa, mas não resolve o problema, e na verdade, cria-se outro problema”, afirmou Mandetta. Segundo ele, a intenção seria firmar uma parceria com Cuba, em que o Brasil faria investimentos na Baia de Mariel, um dos principais portos cubanos, e em contrapartida, receberia cerca de seis mil médicos para atuar em regiões remotas no Brasil.

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Para o parlamentar Luiz Henrique Mandetta a decisão é política
Foto: A. Ramos/Capital News

“O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, abriu para profissionais de Portugal e Espanha, mas, não atraiu esses profissionais, porque os salários e as condições de trabalho nesses países são melhores que aqui”, afirmou Mandetta. Para ele, o Governo Federal não pode importar profissionais da medicina sem a prova que revalida seus diplomas. “Todos os médicos são bem vindos, desde que façam a prova e testem seus conhecimentos. Mas, se nem o teste de proficiência do idioma é feito, como esses médicos irão conversar com seus pacientes?”, destacou o deputado federal.

O parlamentar lembrou que existem 20 mil acadêmicos brasileiros formados ou em formação na Bolívia e Paraguai, em cursos mais enxutos e com mensalidades mais acessíveis. “Há uma pressão muito grande para que esses diplomas sejam revalidados automaticamente, então o governo brasileiro unificou e criou uma prova, feita pelo Ministério de Educação e não pelo Conselho de Medicina. No primeiro ano, apenas um profissional foi aprovado, e no segundo ano, três passaram em um universo de mil candidatos”, disse Mandetta.

“O governo precisa chegar em 2014 com uma resposta, precisa mostrar que está fazendo alguma coisa pela saúde no país. Como não podem fazer a prova porque não há aprovação, querem fazer um vínculo de três anos por meio do Ministério de Relações Exteriores e será criado uma categoria de trabalhadores com vínculo especial, que não terão registros nos conselhos”, afirmou Luiz Henrique Mandetta.

Para o deputado a solução seria definir carreira e abrir concursos federais para locais de difícil provisão, para que o profissional da saúde tenha um vínculo com o governo federal, além de transformar os agentes de saúde em técnicos de saúde comunitária.

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Acadêmicos querem que estrangeiros realizem prova de revalidação
Foto: A. Ramos/Capital News

Cuba

Segundo dados oficiais, em Cuba existem 6,4 médicos para mil habitantes, enquanto que no Brasil, existem 1,8 médicos para mil habitantes. A Embaixada de Cuba em Brasília informou que o país é referência internacional nas áreas de neurologia, ortopedia, dermatologia e oftalmologia.

Segundo o governo de Cuba, o país tem 161 hospitais e 452 clínicas para pouco mais de 11,2 milhões de habitantes, mas que as dificuldades para o exercício da medicina no país são causadas pelas limitações do embargo econômico imposto pelos Estados Unidos que proíbe o comércio e as negociações bancárias com Cuba.

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