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O que é niksen e como isso pode ajudar a melhorar o cotidiano

Por Pérola Cattini

Da coluna Bem-Estar
Artigo de responsabilidade do autor

Não fazer nada -- e tê-lo como uma atividade diária -- pode ajudar nos transtornos comuns do mundo contemporâneo

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ColunaBem-Estar

O mundo de hoje é muito diferente do que a geração anterior conheceu, principalmente no âmbito do trabalho, em que andar de um lado para o outro e manter sempre uma lista de tarefas pendentes é uma forma de demonstrar status, isto é, de se apresentar como uma pessoa "importante". A consequência disso, porém, também é real: os casos de síndrome de desgaste profissional, transtornos de ansiedade e doenças relacionadas com stress estão em alta, sem contar o chamado desgaste millennial.

Nos Estados Unidos, porém, já existe uma solução para todos esses problemas que não está relacionada com a meditação, uma rotina de dieta, suplementos alimentares e exercícios físicos ou mesmo uma "consciência plena", mas com um ato muito simples: não fazer nada -- ou niksen.

Segundo a psicóloga estadunidense Doreen Dodge-Magee, autora de um livro sobre a rotina contemporânea, niksen é como um carro com o motor ligado, mas parado. "A ideia é chegar a um momento em que não há nenhum plano que não seja simplesmente estar", disse ela ao jornal New York Times -- algo difícil, considerando que mesmo quando parece que não se está fazendo nada, na verdade se está, como o sono.

Niksen, de maneira resumida, é a dedicação de tempo e energia de forma consciente para fazer coisas como olhar a janela ou permanecer sentado e imóvel em uma cadeira. Empresas europeias e estadunidenses que já entraram em contato com a ideia parecem satisfeitas: ao conceder descansos esparsos durante o dia de trabalho, elas afirmam que podem aumentar a produtividade e o desempenho de suas equipes.

"Nossa cultura não incentiva que fiquemos sentados sem se mexer, o que pode ter consequências de amplo alcance para a saúde mental, o bem-estar, a produtividade e outros aspectos da vida", disse a escritora holandesa Olga Mecking ao jornal The Guardian. "A tecnologia não facilita as coisas: o telefone que fica no bolso faz com que seja impossível se desconectar de verdade e ficar inativo. Além disso, o fato de se manter ocupado toda hora poderá fazer com que a gente perda a capacidade de se sentar e ficar quietos, porque o cérebro está sempre estabelecendo conexões", completou.

A psicóloga britânica Sandi Mann, da Universidade de Lancashire, realizou uma pesquisa em que mostrou que sonhar acordado (efeito inevitável do ato de não fazer nada) pode tornar as pessoas mais criativas, decididas, resolutas em problemas e com raciocínio rápido. "Mas para que isso aconteça, é preciso uma inatividade total", alertou. "É preciso que a mente busque seus próprios estímulos", completou.

Segundo ela, o grande paradoxo da questão é que a inatividade pode ser uma atividade imensamente produtiva, porque "se a nossa energia está completamente esgotada, a produtividade não será boa, porque não teremos combustível suficiente para ser produtivos".

Segundo ela, há maneiras de buscar a inatividade, como estabelecer um tempo do dia para não fazer nada -- e tê-lo como objetivo, evitar a "cultura da ocupação" do mundo corporativo contemporâneo e, principalmente, controlar as expectativas. "Aprender requer tempo e esforço, então não pode desanimar se não começar a sentir os benefícios da inatividade de forma imediata. No começo, vai ser incômodo, porque esse também é um exercício que requer prática", finalizou Mann.

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