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ENTREVISTAS - 14/07/2010 - 11:00
O mágico Rick Thibau fala sobre seus espetáculos, experiências e o mercado de trabalho da mágica

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Rick Thibau também é músico e jornalista e segue a carreira de mágico profissional desde 2004
Foto: Deurico/Capital News

Ricardo Thibau, ou Rick Thibau, é um mágico de 27 anos que vem ganhando destaque na cena do entretenimento na Capital, com suas apresentações focadas no “mentalismo”, arte do ilusionismo que utiliza conceitos relacionados a telepatia, telecinésia e precognição. Thibau, que também é músico e jornalista, é mágico profissional desde 2004, e já se apresentou em cidades brasileiras como São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Belo Horizonte e Porto Alegre, e também pelo exterior, como Londres e Buenos Aires.

Em 2006, foi campeão brasileiro de mágica no 1º "Prêmio de Close-Up" (mágica feita próxima do participante) no Congresso Brasileiro de Mágicos. Em 2009, com o espetáculo “Não É Festa de Criança”, juntamente com o mágico uruguaio Juan Araújo, fez um turnê de 35 dias por Santa Catarina e Paraná. Thibau também é membro da Sociedade Mágica do Brasil (Sombra), filiada a Federação Latino-Americana de Sociedades Mágicas (Flasoma).

Em uma descontraída conversa com a equipe do Capital News, o mágico fala dos seus espetáculos e da repercussão deles, como adivinhar o resultado da final da Copa do Mundo de Futebol de 2006, que teve como vitoriosa a França e até mesmo o resultado do Campeonato Estadual de Futebol de Mato Grosso do Sul de 2010, com o Comercial vitorioso. Rick também fala do atual mercado para mágicos e sobre o seu novo espetáculo focado na intuição.

Capital News: Como é seu trabalho para organizar e pesquisar a estrutura dos seus espetáculos?

Rick Thibau: Estou usando o Google, e cada dia é um dia. Tem dias que eu tenho uma apresentação de manhã ou à noite. Dependendo do dia eu me organizo, pois eu tento manter a rotina o mais organizada possível para não ficar embolada. Todo dia eu estou estudando e lendo muito, além de fazer anotações. Basicamente todo aquele trabalho em grupo, sou eu que faço sozinho. Estou trabalhando neste momento em um espetáculo para o FIC (Fundo Investimentos Culturais), ele não passou, mas tudo que está no cronograma eu estou fazendo. Trata-se de um espetáculo com três fases, a primeira fase é a do espetáculo, onde eu estou tentando fazer um show inédito de mentalismo jamais visto no mundo e eu estou buscando o apoio de várias pessoas especiais como Uri Geller, que foi um dos primeiros paranormais a entortar colheres e também os maiores paranormais, os mais respeitados. Nos últimos meses eu consegui entrar em um fórum altamente restrito, composto por grandes profissionais de mágica. Apesar de não conseguir muita informação, eu passo para eles todas as minhas idéias e peço a avaliação deles, como se fosse uma espécie de consultoria.

Você considera essa maior abrangência de contatos, a exemplo deste fórum que você conseguiu participar, um grande avanço em sua carreira?

Em termos de dedicação, eu sempre me dediquei. O que está diferente agora, é que eu trabalho com isso. Mas na questão de mágica, com quatro anos (2004) estava em Londres e já trabalhava (com mágica) e em 2006 ganhei o prêmio (1º Prêmio de Close Up no Congresso Brasileiro de Mágicos). Participar deste fórum, por exemplo, é apenas resultado da minha dedicação. Mas a minha carreira ainda não está pronta, preciso de no mínimo uns 10 ou 15 anos, digo isso em relação à qualidade, o mais importante para mim agora é correr atrás da experiência.

Como é a receptividade e resposta do público e as diferenças entre o público empresarial e dos seus shows convencionais?

É completamente diferente. Nenhum público é definitivo, ao longo do trabalho você vai pegando idéias de como cada público vai se comportar. A parte entre esses dois tipos de público que não muda, é o fato de todos serem humanos e responderem a estímulos, padrão de resposta. A idéia de público é até um pouco errada, já eu nas mágicas, o objetivo é fazer com que a pessoa seja um participante. Em um ambiente coorporativo, por exemplo, a platéia é mais quieta e reservada. Já em um show, você fica sujeito à respostas, ou seja, alguém da platéia pode fazer uma brincadeira e você pode responder.

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A idéia de público é até um pouco errada, o objetivo é fazer com que a pessoa seja um participante"
Foto: Deurico/Capital News

No cenário empresarial, as suas mágicas sempre buscam o aspecto “motivacional”?

Isso depende, o que é também um negócio que eu particularmente gosto. Ppor que apesar de parecer de eu estar fazendo a mesma coisa quando saio para trabalhar, toda a situação tem a sua particularidade. A empresa pode estar lançando um produto, comemorando o aniversário de alguém, pode ser um treinamento, confraternização de final de ano. Então cada situação determina como as pessoas vão reagir e o material que eu vou usar, se vai ser uma coisa mais séria, se vou usar microfone...

Essa constante alteração de cenário não acaba te estressando, ou seja, no mesmo dia você acaba preparando e pesquisando materiais para apresentações de vários temas?

É o que eu mais gosto. Trata-se de dominar em vários aspectos o que eu faço. É poder ver quais materiais combinam com o meu trabalho, com quais eu me sinto bem ou quais realmente são mágicas. As vezes o material é até igual, posso fazer o mesmo número e envolver as pessoas de forma igual, mas o contato vai ser completamente diferente.

Entre os mágicos acontece uma espécie de hierarquia? Ou seja, alguns mágicos podem valorizar um tipo de mágica, enquanto outros desprezam e vice-versa?

É igual a música, ao teatro ou qualquer forma de linguagem. Tem vários estilos, são várias pessoas.... A comparação com a música é perfeita, já que existe, por exemplo, a música comercial, a mais artística, às vezes tem mais virtuosismo e outras são mais simples. Dentro da mágica eu estou em uma posição que me deixa feliz. O mentalismo é respeitado como se fosse o Jazz na música, o equivalente a uma mágica com um potencial de causar uma experiência impactante, mais próximo do real. E assim como existem músicos que não gostam de jazz por achar chato, há também os mágicos que não gostam do mentalismo. Alguns até dizem, se você quer se chatear vá a um show de mentalismo. E com certeza, já que é um tipo de mágica difícil, é muito fácil de se chatear mesmo se a pessoa não for muito boa, não se conectar com a platéia ou preparar um material muito chato.

O fato do mentalismo se aproximar da realidade o torna um tipo de mágica acessível para qualquer pessoa aprender?

Eu acho tão acessível quanto uma pessoa dominar as técnicas do futebol. É claro que em exemplos extremos, nós vamos comparar o Uri Geller ao Pelé, que são pessoas que chegaram até o topo do seu ramo. Os desafios que você encontra são os mesmos que vai encontrar em qualquer opção que você tiver em sua vida. Dentro disso há vários fatores como a compatibilidade, a sua dedicação e a até mesmo a ética, já que há também um desafio de conhecimento pela mágica. Trata-se de uma questão de achar o que você gosta e dominá-lo.

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Todo dia eu estou estudando e lendo muito, além de fazer anotações. Basicamente todo aquele trabalho em grupo, sou eu que faço sozinho
Foto: Deurico/Capital News

Em 2006, você chegou a fazer a previsão da final da Copa do Mundo e acertou, e agora em 2010, você fez a mesma coisa com o resultado do Campeonato Estadual Sul-Mato-Grossense. É uma habilidade que você dá destaque em suas apresentações?

Acho o conceito fantástico e ganharia na loteria se pudesse, mas não consigo... quer dizer, não consegui ainda pelo menos, eu jogo pouco (risos). A questão é que (pausa) não é a única coisa que dá para se fazer, até aproveitei isso profissionalmente, aceitando o desafio. Algumas pessoas que contrataram me pediram e tiveram as suas previsões. Mas o ponto é, acho esse número sensacional, mas não é o foco do meu trabalho no momento. A minha intenção é não confundir, já dizia Dai Vernon: “Confusão não é mágica”, quero que isso tenha o efeito adequado, que é fazer com que o público tenho a experiência e o contato com o mistério, provocar um momento de dúvida, onde a pessoa pense “Uau! Como isso aconteceu?”.

E como foi a resposta das pessoas após você ter adivinhado esses resultados e acertado?

Devo ter até alguns e-mails guardados... Mas em 2006, logo depois que eu registrei a previsão dos resultados da Copa. Em menos de três meses depois do resultado da Copa, um cara, um ex-jogador, tava no leste europeu e queria me contratar junto com um amigo meu, que também é mentalista para dar os nossos palpites. E nós explicamos que não é desse jeito que funciona a coisa, não íamos deixá-lo rico, até por que nós já estaríamos ricos com isso se fosse possível. Mas não é. Acho legal quem aposta e investe nisso, e se eu tivesse interesse investiria nisso também. Esse ex-jogador queria que nós enviássemos os palpites de partidas do campeonato europeu e em troca nos pagaria um valor fixo. Poderia ter conseguido um dinheiro com isso, mas não é assim, não é o objetivo. Não que eu não precise de dinheiro (risos), mas não assim que funciona. Eu sei que ele ficou um bom tempo mandando e-mails, acho que ele possuía uma equipe de estatística somente para isso.

E para esse ano? Você fez alguma previsão para o resultado da Copa do Mundo?

Não. Eu cheguei a fazer de brincadeira, e mandei por e-mail para os meus amigos no fórum de mágica. O resultado do primeiro jogo eu acertei, mas do segundo eu errei. Mas é por que eu atualmente não estou fazendo somente previsões, não estou me dedicando. Mas se você me perguntar agora “Tem como descobrir quem vai ganhar a Copa?” e vou te dar uma resposta, ma se ela estará certa ou não, eu vou descobrir somente no dia. Posso até dar uma informação adicional, que pode não fazer sentido, mas fará na hora do fato. Foi assim em 2006 quando eu coloquei na carta de previsão, que o Zidane seria expulso, e foi.

Essa supervalorização pela adivinhação atrapalha o seu trabalho?

Eu tenho uma parcela de culpa nisso. Primeiro por que eu sou muito novo se for levar em consideração que é um trabalho do qual pretendo viver. E eu estou flertando com vários truques, assim como as mágicas em close up e outras. É tudo experiência, assim como as previsões.

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Aqui (Brasil), se pedirmos uma referência em mágica, vamos ter como resposta “Mr.M”, já no exterior não é assim. Se perguntarmos para uma criança, ela é capaz de nos falar mais de dez ou 20 nomes de mágicos
Foto: Deurico/Capital News

Como você avalia o mercado da mágica hoje no Brasil? É um cenário confortável para quem quer seguir nesta carreira?

É ruim, não tem mercado estabelecido. Quem hoje na maioria das vezes contrata um mágico para fazer um espetáculo, espera algo diferente do espetáculo que eu faço, na maioria das vezes espera aquele “mágico da festinha” ou no “mágico de circo”. São estilos muito bons, mas é igual a você contratar uma banda de rock para tocar em um casamento convencional (risos). Eu “tenho” um público, que no caso são os adultos, mas os adultos em sua maioria contratam mágicos para crianças, então já há uma deficiência na representação do significado da mágica no Brasil. Aqui, se pedirmos uma referência em mágica, vamos ter como resposta “Mr.M”, já no exterior não é assim. Se perguntarmos para uma criança, ela é capaz de nos falar mais de dez nomes de mágicos, por que é uma arte mais popular. Isso acaba dificultando um pouco, fazendo com que eu tenha que trabalhar a divulgação de forma mais clara para mostrar ao meu cliente que esse tipo de mágico é uma forma de entretenimento também. Mas não é algo que eu possa reclamar, ou seja, posso reclamar do mercado, mas não dos meus contratantes por que eu recebo uma resposta positiva deles em relação ao meu espetáculo e é algo que me ajuda muito na carreira.

E quais são seus planos em relação à mágica para este ano? Você disse que está preparando um espetáculo com mentalismo, jamais visto anteriormente..

Neste ano eu estou focado em produzir este espetáculo novo. É possível que eu viaje para o Rio de Janeiro, mas para trabalhar o espetáculo. Eu fiz isso em 2007, já que lá mora um amigo meu, um mentalista americano, e ele vai dar uma avaliada no meu espetáculo, analisar o material. É um cara que vai ajudar bastante. Provavelmente no fim do ano eu devo ir para a Índia para fazer uma apresentação em um festival cultural, se tudo der certo.

Você pode nos adiantar algum detalhe deste novo espetáculo? Ele possui um nome?

O espetáculo ainda não possui um nome específico, ainda estou trabalhando nisso... Mas o conceito dele é fazer com que as pessoas, experimentem, percebam que nós temos um tipo de comunicação que não é somente esta em que nós abrimos a nossa boca, falamos e ouvimos. É um tipo de comunicação que podemos chamar de intuitiva, na parapsicologia chamamos de telepatia, quando não é com uma pessoa e sim com uma idéia, chamamos de clarividência e por aí vai...É o que tem de mais fantástico e heróico, em termo de “poderes” parapsicológicos e é o que mais me agrada. É uma experiência assustadora por que tem muito a ver com o que está acontecendo atualmente, onde passa a idéia de que tudo que a gente faz é vigiado e programado. Isso não foge da realidade, tanto que filmes como Matrix fazem muito sucesso por conta disso. E o espetáculo pega essa parte, ele será muito participativo e com humor, onde a pessoa pensará informações que somente elas sabem, como por exemplo, o nome de um amigo de infância. Ninguém mais além da pessoa saberia esta informação, então a minha proposta é questionar: “Será que é possível acessar essa informação sem que eu te pergunte e você me responda?”, “Será que isso existe?” e a minha resposta é: Sim, isso existe, se chama intuição e está sendo usado e praticado mesmo quando nós não sabemos e pode ser controlado em níveis absurdos e até assustadores. Esse é o meu projeto para 2010, e nos anos seguintes é adquirir experiência para poder aperfeiçoá-lo

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Rick Thibau durante a apresentação do show "Não é festa de Criança" em 2009
Foto: Kuka/Vaca Azul Produções

 

Contato Rick Thibau:

E-mail: contato@rickthibau.com
Telefones: (67)8111-5024 ou (67)3321-5841


Por Jefferson Gonçalves - Capital News (www.capitalnews.com.br)

 

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Fonte: Jefferson Gonçalves - Capital News (www.capitalnews.com.br)


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