Um bate-boca entre os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) marcou o início do julgamento do mensalão, nesta quinta-feira (2).
O relator do processo do mensalão, ministro Joaquim Barbosa, não gostou de ver o revisor da ação, Ricardo Lewandowski, se manifestar a favor do desmembramento do processo.
A questão começou a ser discutida depois que o ex-ministro da Justiça, Thomaz Bastos, pediu que os réus que não são políticos sejam julgados em primeira instância e não pelo STF.
Pela proposta, conforme o site Folha de São Paulo, dos 38 réus, só os três deputados seriam julgados pelo STF. Os demais seriam submetidos aos tribunais de origem.
Joaquim Barbosa votou contra o pedido e afirmou que a Suprema Corte discutiu a questão durante uma tarde inteira e seria irresponsabilidade voltar a debater o assunto.
No entanto, Lewandowski discordou do colega e disse que se sentia muito à vontade em se manifestar a favor da divisão do processo. Ele alega que os réus que não têm foro privilegiado podem ser julgados pela Justiça comum.
Joaquim Barbosa ficou irritado. “O senhor foi revisor do processo, deveria ter se manifestado no início, antes de armarmos tudo isso. Isso é deslealdade com o papel de revisor”, disse.
Lewandowski se mostrou ofendido com a palavra "deslealdade", usada por Barbosa. “Me parece (sic) que é esse é um termo muito forte e que este será um julgamento muito tumultuado”, respondeu.
O presidente do STF, ministro Carlos Ayres Britto, precisou intervir para encerrar a discussão. Ele chegou a aumentar o tom de voz, mesmo usando o microfone, porque não estava sendo ouvido pelos ministros que continuavam discutindo.
O desmembramento do processo ainda está em análise, segundo o site R7, mas o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, já se posicionou contra o pedido.

Caso o processo seja desmembrado, o STF julgará dos 38 réus apenas os três deputados
Foto: Nelson Jr./SCO/STF
