A defesa do presidente paraguaio, Fernando Lugo, alegou nesta quinta-feira (22) que ele está sendo vítima de perseguição política e que a abertura inesperada de processo de impeachment contra ele é inconstitucional.
Numa decisão rápida e inesperada, o Congresso paraguaio abriu ontem processo de impeachment contra o presidente. A abertura de processo foi aprovada na Câmara por 76 parlamentares. Apenas 1 ficou ao lado de Lugo, evidenciando seu isolamento político.
O Senado decide hoje o destino de Lugo. A previsão é de que a palavra final do Senado seja divulgada logo mais, às 16h30, horário de Mato Grosso do Sul.
Lugo decidiu não comparecer ao julgamento político e permanece no Palacio de López, sede do governo.
A principal acusação contra o presidente é ser responsável pela morte de 17 pessoas, na última sexta-feira, num conflito agrário entre policiais e camponeses que ocupavam uma fazenda em Curuguaty, fronteira com o Paraná.
O advogado Adolfo Ferreiro, um dos que representaram Lugo em sua defesa no Senado, disse que as mortes resultantes de conflitos entre camponeses e policiais não caracterizam uma situação de mau desempenho do presidente.
"Alegam mau desempenho do presidente, mas não explicam por que razão ele teria incorrido em mau desempenho de suas funções. Não há nenhuma explicação técnica, e este processo demonstra total desconhecimento da estrutura política do Paraguai. Querem cassar um presidente eleito por professar ideias que são contrárias às ideias de seus julgadores", afirmou Ferreiro.
Lugo é acusado de instigar a invasão de terras no país. Os deputados também o acusam de submeter as forças de segurança a ordens dos movimentos sociais. Com isso, os parlamentares dizem que o presidente é incapaz de conter uma onda de violência no país.
A defesa de Lugo teve duas horas para apresentar seus argumentos. A partir de agora, os senadores vão avaliar os argumentos da defesa e da acusação para decidir se será cassado mandato do presidente. Para tirá-lo do poder, são necessários 30 votos a favor do pedido, o equivalente a dois terços do Senado, formado por 45 senadores.
Fernando Lugo foi eleito presidente em 2008, pondo fim a um período de seis décadas de governo do Partido Colorado. Na ocasião, a eleição foi marcada por um clima de tensão na fronteira, mas não foram registrados grandes incidentes.
