A inflação na cidade de Campo Grande, no mês de julho, ficou em 0,15%. De acordo com o Índice de Preços ao Consumidor (IPC-CG) divulgado mensalmente pela Anhanguera-Uniderp, o grupo Educação - único a apresentar deflação no mês – fechou com índice de (-0,05%), devido às reduções de preços de (-0,53%) em produtos de papelaria, contribuindo assim para a queda da inflação.
“O índice de julho revela a tendência de baixa da inflação se comparada aos meses anteriores. Apesar do clima adverso que tem ocorrido, provocando a alta de preços de verduras e legumes, outros produtos têm baixado de preço, como as carnes, controlando a inflação”, explica o coordenador do Núcleo de Pesquisas Econômicas e Sociais (Nepes) da Anhanguera-Uniderp, Celso Correia.
Os grupos que contribuíram para a elevação da inflação foram: Despesas Pessoais (0,26%), Alimentação (0,17%), Habitação (0,15%), Vestuário (0,78%), Saúde (0,06%) e Transportes (0,05%).
Habitação apresentou pequena elevação de 0,15% em seu índice em relação ao mês de julho, devido principalmente aos seguintes aumentos: limpa vidros 12,97%, impressora 6,37%, forno micro-ondas 6,29% e pilha 4,60%. As maiores quedas de preços do grupo ocorreram com: DVD (-5,30%), televisor (-4,12%), saponáceo (-3,93%) e sabão em pó (-3,29%).
O grupo Alimentação apresentou pequena inflação de 0,17%, refletindo as quedas de preços das carnes bovina, suína e da batata, que têm altas ponderações na composição da inflação. “Este grupo sofre muita a influência de fatores climáticos e da sazonalidade de alguns de seus produtos, principalmente, verduras, frutas e legumes. Assim, além das carnes, os outros produtos que mais pressionaram a inflação para cima foram: tomate 40,93%, berinjela 36,86%, cenoura 17,09%, beterraba 15,68%, e a abobrinha 15,50%. Por outro lado, alguns produtos tiveram redução de valores significativos, como: costeleta suína (-13,24%), coco seco (-11,30%), batata (-8,57%) e alface (-8,46%)”, observa Correia.
No item carnes, quase todos os cortes bovinos de primeira tiveram redução: contrafilé (-3,68%), picanha (-2,66%), alcatra (-2,31%) e filé mignon (-1,14%). Outros cortes, alguns de primeira, outros de segunda, apresentaram alta: cupim 3,32%, ponta de peito 2,48%, paleta 2,28% e coxão mole 1,95%. “Para os próximos meses espera-se que os preços da carne bovina no varejo reajam devido ao momento atual de entressafra desse produto, principalmente, quando do abate de bois confinados, cujo custo de produção é mais elevado. Em relação à carne suína, as perspectivas parecem não ser de mudanças em médio prazo, visto que o país tem excedente desse produto, podendo mudar essa perspectiva se forem liberadas as exportações desse produto. O frango congelado apresentou aumento de 2,87% e miúdos queda de (-2,24%).
Observou-se no grupo Transportes pequena inflação de 0,05%, devido principalmente, aos aumentos de passagens de ônibus interestaduais 4,52% e gasolina 0,27%. Ocorreram quedas de preços de carros novos, da ordem de (-0,34%) e óleo diesel (-0,11%).
Com moderada inflação de 0,26% em seu índice, o grupo de Despesas Pessoais registrou aumentos em produtos como papel higiênico 4,68%, absorvente higiênico 4,52% e creme dental 2,08%. Quedas ocorreram com: fio dental (-2,39%), protetor solar (-1,61%) e xampu (-0,99%).
Vestuário apresentou forte inflação de 0,78%. Aumentos foram registrados nos produtos: blusa 3,24%, sandália/chinelo masculino 2,83% e sapato masculino 2,60%. Quedas foram verificadas com camiseta feminina (-5,68%), calça comprida masculina (-5,21%) e camiseta masculina (-2,88%).
“O grupo Saúde foi o único a apresentar estabilidade em seu índice, com pequena inflação de 0,06%, revelando aumentos em: antialérgico e broncodilatador 3,12%, antigripal e antitussígeno 2,19%, anticoncepcional e hormônio 1,83%, e quedas de preços em: antiinfeccioso e antibiótico (-1,94%), material para curativo (-1,84%) e vitamina e fortificante (-1,41%)”, conclui o coordenador no Nepes, Celso Correia.
Inflação acumulada
A inflação acumulada neste ano de 2012 na cidade de Campo Grande é de 2,46% e, nos últimos 12 meses, de 4,71%, ultrapassando o centro da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que para o ano de 2012 é de 4,5%. “A tendência para este ano de 2012 é que a inflação acumulada na cidade de Campo Grande fique dentro da meta estabelecida pelo CMN, que é de 4,5% ± 2%”, explica o pesquisador do Nepes, José Francisco dos Reis Neto.
“O grupo Despesas Pessoais teve uma inflação acumulada neste ano de 2012 de 8,53%, sinalizando que o setor de serviços é aquele que mais tem sofrido reajustes de preços. O grupo Educação vem em segundo lugar, com 5,29%, que também é um grupo de serviços, motivado pelo aumento das mensalidades escolares de janeiro, reforçando, assim, que o setor de serviços tem puxado a inflação para cima. O reflexo só não é maior na inflação da cidade porque os pesos desses grupos são pequenos na composição da mesma. Estes dois índices, como se vê, são maiores do que a inflação acumulada neste ano de 2012, que foi de 2,46%. Ainda, os grupos Despesas Pessoais, Alimentação e Educação, com índices de inflações acumuladas de 10,18%, 5,78% e 5,57%, respectivamente, estão acima da inflação acumulada em doze meses, que foi de 4,71%”, finaliza.
Os dez mais e os dez menos
Os dez produtos que mais contribuíram para a elevação da inflação do mês de julho foram: Tomate, Impressora, Abatidos, Bebidas não alcoólicas, Blusa, Cenoura, Bebidas alcoólicas, Linguiça fresca, Alho e Berinjela. Já os dez produtos que mais contribuíram para a queda da inflação foram Alcatra, Batata, Calça comprida masculina, Queijo-de-Minas, Leite Pasteurizado, Queijo muçarela/ prato, Contrafilé, Sabão em pó, Alface e Açúcar.
