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Terça-Feira, 13 de Março de 2018, 14h:55
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Manutenção de estradas e pontes facilita retirada do gado do Pantanal

Escoamento do rebanho foi antecipado devido à cheia atípica durante março

Esthéfanie Vila Maior
Capital News

Edemir Rodrigues

Manutenção de estradas e pontes facilitam retirada do gado do Pantanal

Boiada que saiu da região do rio Vermelho, em Aquidauana, atravessa o rio Abobral, em direção ao Taquari, em Corumbá

A cheia atípica no Pantanal sul-mato-grossense no mês de março fez com que a retirada do gado das áreas de inundação fosse antecipada. A manutenção das estradas e pontes tem acelerado o processo e os caminhões boiadeiros trafegam sem dificuldades de acesso.

 

As maiores dificuldades na transferência do gado para as partes altas sempre foram às pontes quebradas e atoleiros. O presidente do Sindicato Rural de Corumbá, Luciano Leite, explica que eram percorridos desvios de até 150 quilômetros para chegar à BR-262, quando as MS-184 e MS-228 estavam intransitáveis.

 

“Sem dúvida, a trafegabilidade das nossas estradas e a qualidade das pontes, nessa época de muita água na região, nos dá uma segurança de que o gado chegará ao seu destino sem perdas de animais ou sem onerar o produtor com o custo alto do frete”, afirma.

 

Nas MS-184 e MS-228, conhecida como Estrada Parque, em Corumbá, o fluxo de caminhões e boiadas foi intenso até a última semana. Praticamente todo o gado da região da Nhecolândia foi transferido. 

 

Na MS-243 - que liga a BR-262 a sub-região do Nabileque - entre Miranda, Corumbá e Porto Murtinho, a movimentação de animais foi realizada com facilidade com a recuperação da estrada.

 

Proprietário de uma comitiva de Aquidauana, João Luiz de Oliveira, explica que a maior dificuldade tem sido atravessar os alagados, que exigem muito do gado. “Mas quando estamos no seco encontramos estradas boas e pontes seguras, o que permite a chegada rápida dos animais no seu destino”, afirma. A comitiva leva uma boiada de 900 touros da fazenda Rio Vermelho, na Nhecolândia, para a parte alta do Taquari.

 

A comitiva do aquidauanense deixou a fazenda Rio Vermelho com a boiada com a chegada das águas dos rios Aquidauana e Miranda às regiões da Nhecolândia e Abobral, em direção ao rio Paraguai. Durante a viagem de 15 dias até a Estrada Parque, dois animais morreram afogados.

Edemir Rodrigues

Manutenção de estradas e pontes facilitam retirada do gado do Pantanal

Boiada do Pantanal do Nabileque em direção a Bodoquena, pela MS-243

Cheia

O volume de água do Miranda e do Aquidauana, que atingiu 10,42 metros, vai impactar uma das regiões de menor declive do Pantanal. A MS-184, próxima ao Passo do Lontra, corre risco de ficar submersa. O rio Miranda, que passa por ali, já transbordou e invadiu as pousadas e hotéis. Os campos que margeiam a estrada estão inundados e a correnteza é muito forte nas pontes de vazão.

 

Fazendeiros e empresários de turismo esperam uma segunda cheia, a do rio Paraguai, que corta a MS-228 no Porto da Manga. O transbordamento deve ocorrer até o fim de março. Dependendo da intensidade, pode deixar a estrada submersa e até interditada. A quantidade de camalotes encobrindo o leito do Paraguai é indicativo de que o nível subiu ao receber águas dos afluentes Taquari e Negro.

 

Embrapa avalia emergência

A Embrapa Pantanal prepara um laudo sobre os efeitos da enchente deste ano para a pecuária. A análise é foi encomendada pelo Sindicato Rural de Corumbá, que detém o maior rebanho bovino do Estado, cerca de dois milhões de cabeças.

 

O presidente da entidade, Luciano Leite, disse que o objetivo do documento é se preparar para uma grande cheia e dar embasamento técnico ao pedido dos pantaneiros para que o município declare estado de emergência.

 

“Com a sequência das chuvas, o rio Paraguai vai transbordar ainda este mês em Corumbá, a 60 dias da chegada das águas do Norte (Mato Grosso)”, prevê o dirigente. A régua fluviométrica de Ladário, referência para indicar o nível de cheia, registrou que o rio Paraguai está em 3,86 metros e deve atingir 5 metros na primeira semana de abril. Para a Embrapa, este nível correspondente a uma cheia normal, mas ainda se espera as águas de Cáceres (MT).

 

O nível do Paraguai na cidade mato-grossense começa a cair, depois de atingir seu pico máximo (4,80 metros), em 1º de março. A preocupação dos pantaneiros é com o volume das chuvas, que já deixa Porto Murtinho em alerta: o rio atingiu 6,34 metros e voltou a baixar. No entanto, há previsão de chegar a 8 metros, com a chegada das águas de Cáceres e dos afluentes Aquidauana e Miranda.

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