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Como Thomas Cook criou o turismo moderno na Inglaterra no século 19

Por Raphael Granucci

Da coluna Viagens
Artigo de responsabilidade do autor

Britânicos lembram legado do empresário que criou primeiros roteiros turísticos no país e expandiu excursões para o mundo

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ColunaMarcoEusébio

Poucas pessoas nesses tempos sofisticados diriam que viajar tem todas as virtudes que no passado acreditava-se que tinha. No entanto, a viagem permanece, para aqueles que têm dinheiro para comprar passagens aéreas e tempo para ficar longe de casa e do trabalho, um dos melhores jeitos de usar as horas livres. Hoje, o turismo é a fonte primária de recursos para tantos países que é difícil imaginar como eles existiam antes da figura do britânico Thomas Cook.

Cook, que completaria 150 anos em 2018, não se contentou em ser o pai do turismo moderno: ele era, antes de tudo, um repórter de jornal. Durante seus roteiros, quando arranjava transporte barato, acomodações ideais e pontos de interesse para seus clientes, ele enviava artigos descrevendo as maravilhas dos percursos para jornais de Leicester e mesmo o Times, uma das principais publicações britânicas.

O jornal The Guardian recentemente afirmou, em um novo obituário por ocasião do aniversário dele, que Cook "tinha aspirações por coisas grandes" e que seu interesse por viagens turísticas populares surgiu porque era um "devoto da temperança" no trabalho. Seja como for, por uma taxa de uma libra (hoje cerca de R$ 4,91), ele organizou uma viagem de trem entre Leicester e Loughborough para 570 clientes em 1841. Quatro anos depois, coordenou outra viagem, dessa vez de Leicester, Nottingham e Derby em direção a Liverpool - quando já era um empresário do recém-nascido setor do turismo britânico.

O livro produzido para a viagem ferroviária tinha uma canção composta pelo famoso poeta J. Bradshaw Walker, de Leeds, para distrair os turistas durante a passagem do trem pelo Summit Tunnel, considerado o maior túnel ferroviário do mundo na época de sua construção, entre as cidades de Littleborough e Walsden.

Em 1846, Cook criou a primeira expedição turística para a Escócia, que seria a espinha dorsal do seu negócio por décadas depois. Os escoceses demonstravam tanto entusiasmo com a chegada de ingleses turistas que, quando os trens chegavam à estação de Glasgow, os moradores atiravam para o alto para dar boas-vindas, enquanto bandas tocavam músicas e discursos eram feitos ainda na plataforma. Tudo isso entre dois países que, se fazem parte do mesmo acordo geopolítico, não costumam se sentir muito afeitos um pelo outro.

Vinte anos depois, quando os roteiros em direção à Escócia já eram o produto mais lucrativo da companhia de viagens de Cook, ele escreveu um livro para os clientes que cruzariam a fronteira da Inglaterra pela primeira vez, cujo mérito secundário é de talvez ter o maior nome de uma obra da história: Cook’s Scottish Tourist: Practical Directory: A Guide to the Principal Tourist Routes, Conveyances and Special Ticket Arrangements, Sanctioned by Railway, Steamboat and Coach Companies Commanding the Highland Excursion Traffic.

Um dos capítulos, no entanto, se mantém atual: "É seguro para mulheres viajarem nos roteiros?", perguntava ele, para depois responder positivamente - a maioria dos seus clientes durante os 20 anos anteriores tinham sido mulheres, sem que nenhuma tivesse reclamado de insegurança.

Durante a mesma época, Cook começou a promover outros roteiros para Gales, a Ilha de Man e a Irlanda, e estava pronto para ver o que o continente europeu poderia oferecer. O primeiro passo foram viagens de Leicester (que continuou sendo seu bunker até 1865, quando ele abriu um grande escritório na Fleet Street, em Londres) a Calais, nas margens do Canal da Mancha, na França, onde as pessoas esperavam para chegar à exposição universal de Paris de 1855.

No ano seguinte, o projeto tomou ainda mais forma: em um panfleto que circulava por Leicester, Cook anunciava um "grande roteiro circular pelo continente", que cobriria Antuérpia e Bruxelas, na Bélgica; Colônia, Frankfurt, Heidelberg e Baden-Baden, na Alemanha; e Estrasburgo e Paris, na França. A esse se seguiram outros produtos turísticos, como passeios em direção à Suíça e à Itália - em 1865, Cook viajou aos EUA para planejar excursões que cruzassem o Atlântico.

Em 1873, Thomas Cook completou sua primeira viagem ao redor do mundo, e estava pronto para oferecer o tour global naquele mesmo ano, saindo de Londres e voltando para Londres. Naquela época, seu filho, John Cook, já era um importante diretor da empresa, porque tinha viajado 605 mil quilômetros pela Terra entre 1866 e o início daquele ano.

Eles comandavam, além do mais, a primeira empresa britânica a aceitar, naqueles anos, os recém-criados talões de cheque bancários - e logo introduziram nas viagens cupons de hotéis que permitiam aos clientes a condição de se acomodar em um hotel no mesmo esquema.

Cook ainda trabalhou para autoridades britânicas, como a viagem que organizou para o general George Gordon, em 1884, em direção ao Sudão, na África. Gordon era famoso na Inglaterra por suas expedições militares na China e na África, e escreveu ao empresário agradecendo pela "admirável forma como ele foi tratado durante todo o percurso".

Hoje, a empresa que Cook fundou é a maior do mundo no setor de turismo: tornou-se uma companhia privada limitada em 1924 e, em 1948, foi adquirida pelo Estado britânico, por meio da British Transport Commission.

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