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Mulheres gamers são maioria no Brasil, mas ainda buscam representatividade

Por Gustavo Torniero

Da coluna Tecnologia
Artigo de responsabilidade do autor

Ambiente é hostil e os jogos ainda incluem figuras femininas estereotipadas

Divulgação

ColunaCultura

O caminho ainda é árduo para as mulheres que optam por se aventurar no mundo dos games. Elas constituem maioria entre os aficionados por jogos, segundo dados da quinta edição da Pesquisa Game Brasil (PGB), lançada no ano passado. Do total de jogadores nacionais, 58,9% são do gênero feminino.

Essa não é a primeira vez que elas superam os homens no número de praticantes. Na quarta edição da pesquisa, divulgada em 2017, constatou-se que as mulheres eram maioria no mundo dos games, com 53,6% de participação. Mas isso não significa que elas tenham conquistado, finalmente, a tão sonhada igualdade de gênero nas modalidades, com ampla aceitação e respeito dos homens.

A realidade é totalmente oposta, apesar de alguns avanços. De acordo com a PGB2018, há uma grande diferença entre jogar e se considerar um gamer. Essa identificação é baixa em ambos os gêneros, com 26,4%. Mas, entre as mulheres, é ainda menor: apenas 20,1% se consideram gamers, contra 35,4% dos homens.

Há vários motivos para existir uma baixa representatividade tanto em personagens femininas quanto em relação à  presença dessas mulheres em jogos eletrônicos. A comunidade gamer não é, digamos, tão aberta à diversidade de gênero. O assédio moral e sexual é frequente em chats on-line, o que pode afastar aquela pessoa com muita vontade de adquirir um videogame ou até mesmo um notebook gamer, para treinar profissionalmente determinadas modalidades.

Um levantamento de 2012 feito pelo blog PriceCharting revelou que 63% das 874 jogadoras entrevistadas já sofreram assédio em jogos online. Nessas ocasiões, são comuns frases machistas como "Volta pra cozinha, volta!", "Já terminou de lavar a louça?" ou, então, "Pega uma cerveja pra mim".

Apesar da pesquisa ser antiga, o cenário não se modificou de forma radical nos últimos anos. Em 2018,  a campanha #MyGameMyName causou um certo choque em alguns youtubers brasileiros. O objetivo era encorajar os participantes a utilizarem nomes de usuários femininos, para sentirem na pele o que as mulheres passam.

Rolandinho, do canal Pipocando Games, foi um dos gamers cuja percepção foi modificada com a experiência. “Chamei uma amiga para fazer a voz feminina no chat das partidas, e durante uma delas aconteceu uma agressão bem séria, um assédio mesmo. Minha amiga perguntou se ela poderia ajudar o time em mais alguma coisa e um cara solicitou sexo oral para ela. Foi totalmente gratuito, fora de contexto, simplesmente para acanhar”, contou o youtuber em entrevista à ESPN.

Resultado: a amiga do gamer ficou sem reação e com uma sensação de impotência perante a essa situação. É um caso isolado, mas que ganha eco na fala de diversos outros relatos de mulheres gamers.


A questão da representatividade de personagens femininas tem mais a ver com uma construção de estereótipo feminino e com o comportamento do mercado. “Quando se trata de personagens femininas, as mesmas são estereotipadas e hipersexualizadas na maioria das vezes estando fora do contexto proposto pelo game, sendo pouco participativas narrativamente”, diz um trecho do artigo “A Representatividade das Mulheres nos Games”, escrito por Paula Casagrande Bristot, Eliane Pozzebon e Luciana Bolan Frigo, para o Programa de Pós-Graduação em Tecnologias da Informação e Comunicação da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

1 COMENTÁRIO:

Gostei do texto porque me fez perceber o quanto as mulheres sofrem no cenário dos games. O relato do youtuber do Pipocando Games me impressionou muito e eu apoio campanhas como a #MygameMyname. Continuemos lutando contra a discriminação relatada.
enviado por: Eduardo em 20/04/2019 às 22:14:56
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